SEGURANÇA

Pacto Brasil Contra o Feminicídio reduz tempo para vítimas receberem medidas protetivas

Janja diz que prazo médio para análise caiu de 16 para cerca de três dias

Cerimônia de assinatura do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O Pacto Brasil Contra o Feminicídio reduziu o prazo médio de análise das medidas protetivas de urgência de 16 dias para cerca de três dias, afirmou a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, nesta quarta-feira (10), durante a 7ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão.

Em trecho de discurso no Conselhão, Janja apresentou resultados do Pacto Brasil Contra o Feminicídio, proposto pelo presidente Lula (PT), e destacou a importância da atuação integrada entre Executivo, Legislativo e Judiciário, além do acompanhamento da sociedade civil.

“Quando convocamos o ‘todos por todas’, buscamos unir as múltiplas vozes que ecoam pela proteção da vida das meninas e das mulheres”, afirmou a primeira-dama. Segundo ela, o pacto busca coordenar ações para enfrentar “uma das mais graves violações de direitos humanos no nosso país: o feminicídio”.

Janja afirmou que a iniciativa completou quatro meses na semana passada e já apresenta “importantes resultados estruturantes” na proteção da vida das mulheres brasileiras. Um dos principais avanços citados foi a aceleração da resposta do sistema de Justiça às solicitações de medidas protetivas.

De acordo com a primeira-dama, o tempo médio de análise caiu de 16 dias para cerca de três dias, com casos em que a decisão ocorre em até duas horas. Ela também destacou que 53% das decisões já são proferidas no mesmo dia.

“A vida das mulheres importa”

Ao falar sobre a integração entre os Três Poderes, Janja afirmou que o pacto transmite uma mensagem central: “a vida das mulheres importa”. Ela agradeceu ao CNJ pelo trabalho junto à rede do Judiciário para acelerar a emissão de medidas protetivas por juízes e juízas.

“Isso é o que importa. E a gente precisa falar muito sobre isso. As mulheres precisam ter essa informação”, disse.

A primeira-dama também ressaltou que, após a sanção da lei, tornou-se obrigatória a emissão de pedido para colocação de tornozeleira eletrônica no agressor em medidas protetivas. “Então hoje a mulher tem condição de monitorar o seu agressor. Porque muitas mulheres morriam com a medida protetiva na mão”, afirmou.

Operação Mulher Segura

Janja citou ainda os resultados da Operação Mulher Segura, descrita por ela como uma grande mobilização nacional de combate à violência doméstica e aos feminicídios. Segundo a primeira-dama, o Ministério da Justiça, em parceria com secretarias estaduais, realizou mais de 6,3 mil prisões.

A operação também acompanhou mais de 30 mil medidas protetivas e atendeu quase 39 mil vítimas em todos os estados. Para Janja, os números demonstram avanços na responsabilização e no monitoramento de agressores.

Outro instrumento destacado foi o Alerta Mulher Segura, sistema integrado de proteção e monitoramento em tempo real que utiliza georreferenciamento e tornozeleiras eletrônicas para ampliar a segurança de mulheres sob medida protetiva. Segundo ela, cerca de 30 mil tornozeleiras já foram adquiridas pelo Ministério da Justiça e distribuídas aos estados.

Rede de proteção e atendimento

A primeira-dama também mencionou a criação do Centro Integrado Mulher Segura, plataforma voltada à integração de dados dos sistemas estaduais de segurança pública. O objetivo é identificar fatores de risco, priorizar casos sensíveis e apoiar a atuação das forças de segurança na rede de proteção.

Janja afirmou que as portas de entrada para mulheres vítimas de violência são diversas e que, muitas vezes, elas não procuram inicialmente uma Delegacia da Mulher. Segundo ela, o centro integrado busca coordenar serviços de assistência social, saúde e segurança pública.

O pacto também prevê a modernização do Ligue 180, o teleatendimento psicológico para mulheres em situação de violência e vulnerabilidade e a ampliação do programa de reconstrução dentária de vítimas de violência doméstica.

A primeira-dama afirmou que a reconstrução da vida das mulheres passa pela recuperação da saúde, da autoestima e da dignidade.

Proteção no ambiente digital

Janja destacou ainda o Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital, assinado pelo presidente Lula no mês passado. Segundo ela, a medida estabelece diretrizes rígidas para proteger mulheres na internet e combater crimes virtuais.

O decreto responsabiliza plataformas digitais e determina a remoção de conteúdos de violência contra a mulher em até duas horas após a notificação. Para a primeira-dama, a iniciativa representa “um passo importantíssimo”, em linha com o que chamou de experiência do ECA Digital.

DiárioPB com Brasil 247

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Redação DiárioPB

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