JOÃO PESSOA

Justiça é acionada pelo MPF para remover nomes ligados à ditadura em João Pessoa

Pedido inclui locais públicos, bairros e unidade militar, com base no direito à memória, à verdade e aos direitos humanos

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, nessa quinta-feira (07), uma ação civil pública para que sejam retiradas homenagens a militares ligados à ditadura militar em João Pessoa. A medida pede a mudança do nome do 1º Grupamento de Engenharia do Exército, além da alteração de nomes de bairros, ruas, avenidas, praça, travessa, loteamento e de uma escola municipal que fazem referência a agentes e colaboradores do regime militar.

Segundo o MPF, manter homenagens oficiais a pessoas apontadas por documentos do próprio Estado como integrantes da estrutura repressiva é incompatível com a Constituição Federal de 1988, com o direito à memória e à verdade e com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na área de direitos humanos.

Ação inclui Grupamento de Engenharia, avenidas, ruas e bairros

Na ação, o MPF pede a retirada da denominação “Grupamento General Lyra Tavares” do 1º Grupamento de Engenharia, sediado em João Pessoa.

O órgão também solicita que a Prefeitura altere os nomes dos seguintes locais:

  • Avenida General Aurélio de Lyra Tavares;
  • Avenida Presidente Castelo Branco;
  • Praça Marechal Castelo Branco;
  • Rua Presidente Médici;
  • Rua Presidente Ranieri Mazzilli;
  • Travessa Presidente Castelo Branco;
  • Loteamento Presidente Médici;
  • Rua Trinta e Um de Março;
  • Escola Municipal Joacil de Brito Pereira.

Além disso, o MPF requer a mudança dos nomes dos bairros:

  • Castelo Branco
  • Costa e Silva
  • Ernesto Geisel

Os nomes devem ser precedidos de consultas públicas para definição das novas denominações.

Recomendação ao Exército não foi atendida

Grupamento General Lyra Tavares, em João Pessoa. Foto: Reprodução/MPF

De acordo com o Ministério Público Federal, a ação foi motivada pelo descumprimento de uma recomendação expedida em junho de 2025 ao Exército Brasileiro para retirar a homenagem ao general Aurélio de Lyra Tavares.

Diante da ausência de resposta, o órgão decidiu levar a discussão ao Poder Judiciário. A ação foi proposta contra a União e o Município de João Pessoa.

MPF cita legislação e comissões da verdade

O processo tem como fundamento a Constituição Federal, a Lei Municipal nº 12.302/2012, que proíbe homenagens a pessoas vinculadas à ditadura civil-militar ou a violações de direitos humanos, além de recomendações da Comissão Nacional da Verdade, da Comissão Estadual da Verdade e da Preservação da Memória da Paraíba e da Comissão Municipal da Verdade de João Pessoa.

Segundo o MPF, a manutenção dessas homenagens contraria os compromissos assumidos pelo próprio município em defesa da memória, da verdade e da democracia.

Órgão defende competência da Justiça Federal

Na petição, o MPF sustenta que o caso deve tramitar na Justiça Federal, por envolver uma organização militar do Exército Brasileiro e tratar da implementação de políticas de memória, verdade, reparação simbólica e garantia de não repetição de violações de direitos humanos.

O órgão argumenta ainda que a competência federal contribui para uma resposta uniforme sobre políticas públicas relacionadas à memória democrática em todo o país.

Mudanças vão além da troca de nomes

Para o MPF, compreender o funcionamento da repressão durante a ditadura militar é essencial para fortalecer a democracia e impedir a repetição de violações de direitos humanos.

O órgão também defende que as alterações sejam acompanhadas de audiências públicas, debates e ações educativas, para que a população compreenda o significado histórico das mudanças.


Resumo da Notícia

  • O MPF ajuizou ação para retirar homenagens a agentes ligados à ditadura militar em João Pessoa.
  • O pedido inclui a mudança do nome do 1º Grupamento de Engenharia e de ruas, bairros e uma escola.
  • A ação foi proposta contra a União e o Município de João Pessoa.
  • O órgão cita a Constituição, a Lei Municipal nº 12.302/2012 e recomendações das comissões da verdade.
  • O MPF defende que as mudanças sejam acompanhadas de consultas públicas e ações educativas.

DiárioPB com Portal Arapuan

Redação DiárioPB

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