
Robôs humanoides superaram corredores humanos e estabeleceram um novo recorde mundial em uma meia maratona realizada em Pequim, ao completar os cerca de 21 quilômetros em apenas 50 minutos e 26 segundos, desempenho que evidencia o avanço da inteligência artificial aplicada ao esporte.
O feito ocorreu durante a segunda edição da Beijing E-Town Half Marathon e Humanoid Half Marathon, que reuniu equipes tecnológicas e atletas humanos em pistas paralelas.As informações foram divulgadas pela televisão estatal chinesa CCTV, que destacou o desempenho do robô campeão equipado com sistema de navegação autônoma, capaz de manter velocidade média próxima de 25 km/h ao longo da prova.
A competição colocou frente a frente humanos e máquinas, cada grupo em sua própria raia para evitar acidentes, e mostrou uma evolução significativa em relação à edição anterior. Em 2025, o robô vencedor levou 2 horas, 40 minutos e 42 segundos para concluir o percurso, com quedas frequentes e desempenho ainda limitado. Um ano depois, a corrida apresentou máquinas mais estáveis, rápidas e eficientes.
O tempo alcançado pelo robô não apenas superou o melhor atleta humano da prova, mas também ultrapassou o recorde mundial masculino da meia maratona, que pertence ao ugandense Jacob Kiplimo, com 57 minutos e 20 segundos. A diferença evidencia o salto tecnológico alcançado em curto intervalo de tempo.
Ao longo do trajeto, o público se reuniu para acompanhar o desempenho das máquinas, que variavam desde modelos sofisticados até versões mais simples. A estudante Han Chenyu, de 25 anos, relatou entusiasmo com o avanço tecnológico, mas também demonstrou preocupação com seus impactos. “Embora, como futura trabalhadora, também me preocupe bastante. Porque se a tecnologia avançar rápido demais, pode ter repercussões no emprego”, afirmou.
O evento também revelou o crescimento expressivo do setor na China. O número de equipes participantes saltou de cerca de 20 para mais de 100 em apenas um ano, refletindo o aumento do interesse e dos investimentos em robótica e inteligência artificial.
Segundo dados de um estudo oficial citado pelos organizadores, os investimentos no país nessas áreas atingiram 73,5 bilhões de yuans no fim de 2025, equivalente a mais de 11 bilhões de dólares. Esse cenário reforça a posição da China como um dos principais polos globais de inovação tecnológica.
Para o espectador Xie Lei, de 41 anos, a presença dos robôs tende a se tornar cada vez mais comum no cotidiano. “Acredito que daqui a três ou cinco anos, eles farão parte da nossa vida cotidiana”, afirmou, mencionando aplicações como tarefas domésticas, cuidado de idosos e atuação em atividades de risco.
Ele também refletiu sobre o impacto simbólico da superação humana pelas máquinas. “Desde há milhares de anos, os humanos estão no topo. Mas agora, olhem: os robôs, no que diz respeito à navegação autônoma, pelo menos numa prova esportiva, começam a nos superar”, disse. “Por um lado, isso entristece um pouco a humanidade. Mas a tecnologia, sobretudo nestes últimos anos, também nos abre tantos novos horizontes”, concluiu.
DiárioPB com Brasil 247
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