Na Escócia, imortalizaram o cara que é considerado o pior poeta do mundo. Um poeta escocês, tão ruim que as pessoas lhe pediam para recitar seus poemas apenas para vê-lo ser escarnecido pela plateia, teve seus versos gravados em pedra na cidade onde trabalhou. William Topaz McGonagall, que morreu em 1902, ganhou reconhecimento póstumo na cidade escocesa de Dundee, que pretende marcar o centenário de sua morte gravando parte de um de seus poemas numa calçada à beira do rio Tay.  “A poesia dele é tão ruim que se torna memorável”, disse Nial Scott, diretor da City of Discovery Campaign, organização responsável pelo preito. “Dundee reconheceu a necessidade de homenagear McGonagall por ter sido totalmente dedicado à arte da poesia horrível.”

E quem é o pior poeta paraibano, o cara que compõe os versos mais sem noção, pobres e pueris? Como colecionador de poesia ruim (incluindo a minha), tenho um monte de nomes aqui na minha gaveta. Um dia publicarei um livro com o título: “Os piores poemas paraibanos”. Meu autor trash favorito escreveu um livro chamado “Flatulências poéticas”. Não menciono o nome do autor porque este blog está muito sensível à censura e aos processos judiciais por difamação.

Um cara por nome Luiz Berto, de Limoeiro, está escrevendo o livro “100 Obras-Primas da Poesia Ruim”. Ele não conhece certamente, mas deveria sorver a obra do “poeta” paraibano. O escritor inglês Oscar Wilde disse que “toda poesia ruim brota de sentimentos genuínos”. Portanto, perdoemos nosso “poeta”. Eis algumas de suas composições:

O amor

Nós que amamos
Temos que respeitá-lo,
Por que é a fonte que temos
Para fazermos brotá-lo.

Canário

O canário é cantador
Nas árvores do Sertão,
Empolga todo trabalhador
Que cultivam aquela plantação.

A mulher

A mulher é o animal escondedor
Dos anos que podem levá-la a velhice,
É sigilosa igual a um vampiro enganador
Assegurando o homem através da tolice.

Igual fizeram na Escócia, na Paraíba do Norte também erigiram estátua de um poetastro chamado Caixa D’água, “profeta por vocação”, autor de cinco livros. O Caixa era um boêmio folclórico. Costumava dizer que “os dois homens mais famosos do Brasil são o Presidente Geisel e o poeta Caixa D’água”. Essa figura popular de João Pessoa teve como prefaciadores dos seus livros intelectuais do nível de Oduvaldo Batista, José Joffily e Walter Santos. A galera da intelectualidade etílica de João Pessoa, reunida no Bar Phillipéia em 1986, elegeu por unanimidade o famoso Manoel Caixa D’água como intelectual do ano. O poeta Políbio Alves estava presente e fez aprovar proposta de se criar o grande concurso nacional Poeta Manoel Caixa D’água. Agildo Benevides lamentou que o talentoso vate não tivesse vaga na Academia Brasileira de Letras, porque “Jesus Cristo também era analfabeto, e suas palavras duram dois mil anos”. Uma mostra da “poesia” do velho Caixa:

A GLOBO

A rede globo de televisão

é a maior força em defesa do desenvolvimento

o grande cientista Gutemberg

inventou a imprensa

a globo e a bandeirante

sem elas minha casa seria triste

e eu não tinha alegria dentro de mim.

 

OS DESPEITADOS

 

Os despeitados são doentes

eu venci, fui lá em cima

vem o ciúme e a despeita

por que esse tipo de gente não luta

para chegar a ser herói da terra

e se transformar num gênio da humanidade

como Manoel José de Lima

deixem os vitoriosos viverem em paz.

 

GILVAN FREIRE

 

Advogado Gilvan Freire

calado e inteligente

me inspira a mente

me delira e o coração que suspira

um dos maiores advogados da Paraíba

não encerra o que esse peito discerra.

 

LÚCIA RIBEIRO COUTINHO

 

Eu só tenho ciúme de você por uma coisa

porque eu só conheço o Brasil e você conhece o mundo

mas você está certa

se eu tivesse um marido rico como você

eu faria o mesmo.

 

(Do livro “Deixe um sonhador sonhar em paz”)

Toco do Leão

por Fábio Mozart

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