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Perigo à segurança: descubra o local de fabricação dos materiais da Ypê

Anvisa vai decidir nesta semana se mantém a suspensão da fabricação e da comercialização de um lote de produtos de limpeza da marca Ypê

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai decidir nesta semana, em análise colegiada, se mantém a suspensão da fabricação e da comercialização de um lote de produtos de limpeza da marca Ypê. A medida envolve itens produzidos na fábrica da Química Amparo, em Amparo, no interior de São Paulo, após inspeção sanitária realizada no fim de abril.As informações são do Fantástico. Imagens do relatório de fiscalização mostram equipamentos utilizados na fabricação de detergente e lava-roupas com marcas de corrosão, além de apontamentos sobre o estado de conservação de estruturas ligadas à produção de lava-louças. A inspeção também registrou restos de produtos armazenados e devolvidos às linhas de envase.

A fiscalização foi conduzida por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo. Os agentes passaram quatro dias avaliando as condições de produção da unidade da Química Amparo, fabricante da marca Ypê. A decisão da Anvisa foi publicada na última quinta-feira.

Segundo a agência, a inspeção identificou falhas relevantes em etapas consideradas críticas do processo produtivo. “Durante a inspeção, foram constatados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade.”

A Anvisa também afirmou que os problemas encontrados podem comprometer requisitos essenciais de boas práticas de fabricação de saneantes. “Os problemas identificados comprometem o atendimento aos requisitos essenciais de boas práticas de fabricação de saneantes e indicam risco à segurança sanitária dos produtos, com a possibilidade de ocorrência de contaminação microbiológica, presença indesejada de micro-organismos patogênicos.”

De acordo com o relatório, o risco foi identificado apenas em lotes com numeração final 1 de lava-louças, lava-roupas líquido e desinfetante. A orientação da Anvisa aos consumidores é suspender imediatamente o uso desses produtos e entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor da empresa para obter informações sobre o procedimento de recolhimento.

O documento da inspeção afirmou ainda que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados fora da especificação microbiológica, incluindo a presença de pseudomonas aeruginosa, bactéria encontrada em 80 lotes de produtos acabados. Segundo o relatório, esses lotes não foram reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados no almoxarifado de produtos acabados, aguardando definição financeira.

A inspeção concluiu que o conjunto das irregularidades verificadas configura “um quadro crítico, caracterizado como de risco sanitário elevado”. O relatório também apontou a necessidade de medidas corretivas e preventivas imediatas por parte da empresa, “sob pena de comprometimento da saúde dos consumidores e de agravamento das sanções sanitárias cabíveis”.

Segundo a Anvisa, produtos de limpeza contaminados por bactérias podem causar infecções na pele, nos olhos e problemas respiratórios, especialmente em pessoas vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos.

Em nota ao Fantástico, a Ypê informou que a inspeção recente da Anvisa não encontrou contaminação em seus produtos. A empresa afirmou que já possui controle de qualidade para identificar e descartar itens que não atendem ao padrão exigido pela própria companhia.

A fabricante também declarou que as imagens divulgadas mostram áreas sem contato com os produtos da marca. Segundo a Ypê, os locais fazem parte de “um plano robusto de melhorias na fábrica”, alinhado com a Anvisa desde o ano passado e que já teve mais da metade das ações executadas.

A produção da unidade permanece parada desde quinta-feira, de acordo com a empresa, para acelerar a execução das adequações exigidas pela Anvisa. A Ypê também reiterou “seu compromisso de 75 anos como uma empresa 100% nacional, focada em entregar produtos de qualidade a um preço justo para todos os brasileiros”.

Na sexta-feira, a empresa apresentou recurso administrativo contra a decisão da Anvisa. Com isso, a medida da agência foi suspensa automaticamente até a análise do caso.

Em nota, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo afirmou que a avaliação técnica sobre o risco sanitário continua mantida. “A apresentação de recurso administrativo pela empresa segue o rito previsto na legislação vigente e será analisada pela Anvisa, sem alterar, até o momento, a avaliação decorrente da inspeção.”

O órgão também recomendou que consumidores não utilizem os produtos indicados na medida sanitária. A mesma orientação vale para mercados, supermercados e estabelecimentos similares, que devem separar os lotes atingidos e não colocá-los à venda.

A diretoria da Anvisa deve analisar o caso na próxima quarta-feira. O diretor-presidente da agência, Leandro Pinheiro Safatle, afirmou que a decisão seguirá critérios técnicos. “Foi feita toda essa investigação, toda essa análise. Então, tem os pareceres que foram feitos tecnicamente. Veja, a Anvisa segue a boa técnica, segue a ciência e segue a melhor metodologia. É assim que ela faz esse processo.”

Safatle também explicou que o recurso da empresa faz parte do rito administrativo. “E ela faz esse processo de forma rotineira. E, rotineiramente, a gente também tem um rito nosso. Quando a gente faz esse tipo de ação, a gente dá o direito da ampla defesa para a empresa. E ela tem todo esse direito. Esse direito de ampla defesa foi exercido agora com o pedido que a empresa fez de suspensão desse efeito. Foi dada essa suspensão. É automático esse processo de concessão dessa suspensão. Só que nós vamos analisar essa questão de forma bem definitiva agora, na quarta-feira, na próxima reunião de colegiado da Anvisa”, disse.

Com Brasil24

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Redação DiárioPB

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