O novo chanceler do Paraguai, Antonio Rivas Palacios , anunciou nesta quinta-feira (1) o cancelamento da ata diplomática que deixou o presidente Mario Abdo Benítez sob ameaça de impeachment. O governo havia concordado com o governo Jair Bolsonaro em pagar mais pela energia da hidrelétrica binacional de Itaipu. Benítez é acusado de traição à pátria por ter assinado com o Brasil um documento que aumenta custos com energia em US$ 200 milhões.

De acordo com a Chancelaria paraguaia, a decisão de cancelar o acordo foi comunicada ao embaixador brasileiro Carlos Simas Magalhães. “A Alta Parte Contratante paraguaia comunicou sua decisão unilateral e soberana de deixar sem efeito a Ata Bilateral de 24 de maio de 2019”, diz o documento paraguaio.

Vale ressaltar que, segundo Reportagem do jornal ABC, do Paraguay, no acordo o advogado José Rodríguez González, assessor jurídico informal do vice-presidente, Hugo Velázquez, intermediou a exclusão de uma cláusula para beneficiar a a empresa brasileira Léros Comercializadora, que seria ligada à família Bolsonaro.

O documento que anula o acordo afirma que as duas partes “coincidiram que a falta de acordo sobre o cronograma de energia a ser contratada de Itaipu afeta negativamente à fatura dos serviços de eletricidade da entidade binacional e, neste sentido, destacaram a importância de necontrar uma solução para o problema no curto prazo”.

Segundo a imprensa do Paraguai, o cancelamento do acordo conseguiria frear a tentativa de aprovar um pedido de julgamento político do presidente Mario Abdo Benítez e seu vice, Hugo Velázquez.

Segundo o jornal O Globo, o secretário de Relações Internacionais da Frente Guazu, Ricardo Canese, especialista em energia, afirma que houve “uma gravíssima violação do tratado e faria o Paraguai perder entre US$ 200 e US$ 300 milhões”. Ele é membro do partido opositor que lidera o ex-presidente Fernando Lugo (2008-2012).

Brasil 247

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