Um padre da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima mandou esta estampa da Virgem com meu nome no centro do coração Imaculado. Ele garante que a Santa Fátima vai me garantir bom tempo nos tempos presentes e nas horas que faltam para meu desenlace. Tudo por módico preço de R$ 50 reais. Daí fiquei imaginando que a comercialização da fé do povo não está apenas nas igrejas “pegue pague” neopentecostais comandadas por vigaristas do naipe de Edir Macedo.

A vetusta e experiente Igreja Católica é boa nisso desde os imemoriais tempos da Idade Média. Nesta época, a igreja também ficou conhecida pela venda de indulgências, ou seja, concedia o perdão divino para qualquer pessoa que pagasse por isso. Tipo assim como vender cadeira no céu. O preço era salgado. Atualmente, o comércio da fé desinflacionou, mas continua um abuso. Você chega no Santuário Nacional de Aparecida, se quiser subir pelo bondinho vai pagar 25 reais. Na praça da Alimentação, água mineral custa 5 reais. A vela está pelos olhos da cara. Na loja do Santuário, um calendário de Nossa Senhora não sai por menos de 20 reais. “Tudo poderia ser mais barato e acessível para aquele povo carente, os romeiros que às vezes nem têm o que comer em casa e viajam para o Santuário com o dinheiro contado. Nossa Senhora não aprovaria essa exploração”, acredita o romeiro José Luis de Lima.

Sobre o assunto, remeto para notícia recente que vem da Inglaterra: “nova lei britânica do consumidor afeta médiuns”. O Governo diz que quer pegar apenas ‘comerciantes desonestos’ Um grupo de médiuns e videntes da Grã-Bretanha vai realizar um protesto contra uma nova lei de proteção do consumidor que deve facilitar os processos em casos de clientes insatisfeitos com seus serviços. Segundo Naomi Grimley, correspondente da BBC, como alguns destes videntes cobram pelas consultas, a nova lei passará a classificá-los como “comerciantes”.

As novas regras da União Européia têm o objetivo de proteger todos que forem enganados por comerciantes, não importando qual a mercadoria que está sendo vendida. As mudanças serão colocadas em prática a partir de maio.

Alguns médiuns já começaram a divulgar, em suas propagandas, alertas em que se eximem de responsabilidades, como por exemplo: “isso é apenas uma experiência, os resultados podem não ser garantidos”. Segundo Carole McEntee Taylor, uma das fundadoras da Associação dos Trabalhadores Espirituais da Grã-Bretanha, teme que clientes insatisfeitos possam entrar com processos, caso os resultados não sejam os esperados. Para Taylor, o que videntes e médiuns praticam é espiritualismo, uma religião, e, assim como todas as outras religiões, suas práticas não deveriam exigir provas. “Ao colocar nossa religião sob a lei de proteção do consumidor, estamos sendo discriminados, pois estão nos dizendo no que podemos acreditar”, afirmou. Faz sentido…

Toca do Leão

por Fábio Mozart

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