dinheiro-voandoSempre percebi que a diferença entre ricos e pobres é muito frágil, mas também cruel e abissal: o dinheiro. Então, o que vale e a que serve um punhado de pequenos pedaços de papel com valores simbólicos impressos? Em que, essencialmente, os ricos diferem dos pobres? Em nada. Ambos são feitos de carne e ossos: ambos nascem pelados e chorando (e quando não chora é motivo de preocupação), ambos ficam doentes, ambos padecem dores, ambos sucumbem aos mínimos seres microscópicos: fungos, vírus e bactérias. Se assim é, para que orgulho, arrogância e autoritarismo sobre os outros?

Nestes dias, em que acontecimentos na Espanha chamaram a atenção do mundo, em que mais de uma dúzia de pessoas morreu e mais de uma centena foi ferida, a fragilidade essencial do dinheiro e do mundo moderno veio à tona. Um empresário paulista, que gastavam dinheiro brasileiro na Espanha, dá entrevista à tv chorando, por ter tido que correr no alvoroço das Ramblas, em Barcelona, e luxado uma perna. Segundo ele viu “senhoras” (se for rica é senhora, se for pobre é velha, é assim que funciona a linguagem preconceituosa), correndo e caindo no tumulto, em que uma van avançou sobre consumidores sequiosos que olhavam vitrines e deambulavam na rua mais famosa da Espanha, Las Bamblas. Turistas estes que devem e sentir-se no topo do mundo, olhando de cima os outros que lá não podem ir.

Este senhor vai continuam chorando sim, assim que se lembrar do que passou; e muitas outras pessoas que lá estavam ou que foram afetadas por este acontecimento já choraram e continuarão chorando por muito tempo. Chorem, aproveitem e reflitam sobre os atos dos poderosos sobre os pobres e sobre o mundo como um todo!

Pois é, este senhor que deve se achar muito importante, apenas porque tem dinheiro para ir passar férias em Barcelona, deve também se lembrar que dinheiro não isenta o ser humano da contingencialidade da vida. Talvez o dinheiro que lhe sobra para jogar ao vento poluído de Barcelona seja fruto do suor de pobres trabalhadores que ganham em sua(s) empresa(s) um mísero salário mínimo. Esses têm o sofrimento extenso em toda a vida de trabalhos e explorações, os do tipo do empresário, que sugam a força dos trabalhadores, para pagar o mal que fazem no mundo, recebem sua cota de sofrimento quando o passado por acaso resolve cobrar a cota (ainda que pequena) de males passados, mas que não se extinguem porque ficam impressos na memória coletiva dos descendentes dos martirizados pelos europeus. Só os brasileiros esquecem os males da Europa. Aliás da Europa nada sai, salvo violências, mortes, ludibrios e guerras.

Tudo isso pela relação “nitroglicerinada” entre europeus e muçulmanos, que nunca será resolvida. Ao contrário, cada dia absorve elementos explosivos. Esses dois se cortam bem: os europeus nunca foram santos apesar de a Igreja Católica ter canonizado um monte deles; os de cultura árabe idem. Então o mundo se acaba e a encrenca deles continua. A relação é complicada. No alvorecer do século VIII (711) houve a invasão islâmica na Europa, partindo do Norte da África através da península ibérica e daí se alastrou por quase toda a Europa, inclusive com escravização, cobranças de impostos dos que estavam a séculos no país, e depois guerras violentíssimas. Os europeus sabem que com os islâmicos não vão encontrar as facilidades que encontraram com os negros africanos ou com os nativos do novo mundo.

Depois foi a vez da Europa invadir e rapinar o mundo: o novo mundo, a África e inclusive países muçulmanos como é caso do Oriente Médio e dos países que formam o magreb rapinado pela França. Quem não lembra os genocídios perpetrados pela França na Argélia e no Haiti? Só que os muçulmanos foram atrás do que deles roubaram, e desde há muito estão novamente invadindo a Europa. E como têm bílis desenvolvida, só invadir não lhes paga a pena, estão vertendo sobre a Europa todo ódio que dela sente. Vez por outra resolvem soltar uma bomba aqui, dar tiros ou cutiladas ali, ou mesmo lançar carros sobre multidões como está sendo a nova onda.

E isso não termina por aqui, é bom que se diga. A Europa que já dorme sobressaltada, pode preparar-se para continuar em vigília ou dormindo sono velado. Pois o mal que ela fez a muitos inocentes africanos e, sobretudo, indígenas e aos muçulmanos está sendo cobrado em suaves prestações pelos próprios muçulmanos. E os truões brasileiros e latino-americanos em geral, que exploram os pobres aqui para uma vez ao ano irem levar dinheiro aos europeus, gastando o suor e o sangue dos trabalhadores, passeando pelas ruas largas e bem calçadas, botem as barbas de molho, porque vai sobrar também para aqueles que defendem ferrenhamente os criminosos genocidas, ou seja, os europeus. Minha mãe já dizia que quem se mistura com porcos farelo comerá. Agora chegou a hora de vocês poderosos também chorarem. Será que isso já seria o prenúncio do reino de Deus na terra, com anunciou o Cristo? Acho que não, mas só em ver os ricos sobressaltados já temos algum alívio e certa consolação. Domina Virgo, mater pietatis, ora pro nobis!

Por Paulo Alves

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