João Agripino Filho nasceu em Brejo do Cruz, na Paraíba, fruto da família Maia que, dizem, era mais braba do que cascavel de resguardo. Foi governador da Paraíba, indicado pelos generais da ditadura em 1966. Independentemente de seu intenso envolvimento com os milicos golpistas, não prestava continência fácil pra chefete militar. Se você presta serviço a um regime absolutista, o bom senso diz que deve ser flexível e submisso. Com o “mago” não era assim que a banda marcial tocava, segundo leio aqui no livro de Biu Ramos, “Agripino, o mago de Catolé”.

Numa ditadura, devem os cidadãos castrados dos seus direitos elementares ser obrigatoriamente humildes e ordena a sabedoria que eles tudo façam para não contrariar o guarda. Eleito governador, João Agripino fez visita de cortesia ao general Euler Bentes.

—- Lamento que o senhor esteja cercado de alguns corruptos – disparou logo o general.

—- Sei de quem o senhor está falando – rebateu Agripino. – O senhor se refere a Pedro Gondim e Severino Cabral, não é isso?

Confirmada a cisma do general, João Agripino explicou:

—- Com relação a Pedro, realmente ele realizou despesas sem dotação orçamentária mas, posteriormente, essa falha foi corrigida dentro do prazo legal. Quanto a Severino Cabral, ele foi prefeito de Campina Grande, e como homem de instrução primária, resolveu comprar uma padaria para doar pão aos pobres, sem pedir autorização da Câmara. Mas, ninguém pode acusa-lo de ter botado um tostão no bolso e eu não considero que isso seja corrupção.

O general Euler Bentes, no seu desenho mental de rígida honradez militar, não concordou com o governador. Foi nessa ocasião que Agripino investiu na jugular castrense:

—- Se o senhor general acha que tem corrupção nesses casos, deve considerar os ex-chefes do Grupamento de Engenharia em João Pessoa como corruptos. Fui da Comissão de Orçamento do Senado Federal e nunca aprovei a liberação de um centavo para a construção de casas para militares. E aqui tem uma vila militar, dinheiro que deveria ser empregado na construção de pontes e estradas.

O general agravado ficou vermelho feito a simbologia comunista, que detestava, fez meia volta volver e saiu do recinto.

Garante Biu Ramos que João Agripino foi um político diferente e fez um governo diferente. Figuras girassoláicas da atualidade afiançam que o mago de Catolé tem tudo a ver com o mago de Jaguaribe, mas, “dá-se os causos”, como diria Doutor Penico Branco. O indomável rebento dos Maia gostava de peitar os fardados. Agripino apoiou o golpe militar, mas não sentia muita simpatia pelos possantes e beócios generais no auge do autoritarismo fardado. Em seu livro, Biu Ramos narra um confronto perigoso. Um grupo de estudantes resolveu apoiar a candidatura de João Agripino, o que irritou o Exército. Proibiram a passeata da galera porque “era proibido estudante fazer política”. João mandou um recado ríspido para o general Euler Bentes: “Se quer dissolver a passeata, venha pessoalmente, mas venha armado porque eu também estou armado e um de nós dois ficará ali, na praça”. O general não apareceu na praça de guerra.

Toca do Leão

por Fábio Mozart

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