Em Brasília, Embrapa mantém Banco-Base de Germoplasma em câmaras frias – Foto: Claudio Bezerra Melo | Embrapa

Alguém aí sabe o que é “germoplasma”? Não vale responder se você for agrônomo ou botânico. Se você achou o termo curioso e quer saber mais sobre isso e vários outros temas afins, prepare as malas para passar alguns dias na cidade de Areia, no Brejo paraibano, aonde vai ocorrer a quarta edição do simpósio regional da Rede de Recursos Genéticos Vegetais do Nordeste (RGV-NE).

Será de 11 a 14 de novembro no campus II da UFPB, nas dependências da histórica Escola de Agronomia (Centro de Ciências Agrárias). Segundo Mailson Rêgo, presidente do IV Simpósio, a intenção, esse ano, é de chamar a atenção para valorização das espécies ameaçadas de extinção e fomentar estratégias de planos de manejo, visando fortalecer a criação de novas Unidades de Conservação, particularmente, no bioma Caatinga.

“O evento é regional e estima-se a participação de cerca de 400 pessoas. A programação vai destacar dois eixos principais: os processos de conservação e a utilização sustentável dos recursos vegetais. A ideia é mostrar como as universidades e instituições científicas estão desenvolvendo pesquisas nessas áreas, o que geralmente compreende a instalação e manejo dos bancos ativos de germoplasmas, que chamamos de BAGs, e as coleções de plantas”, diz o professor Mailson.

Paixão por sementes
O simpósio vai abrir espaço ainda para a discussão sobre a agrobiodiversidade nordestina e para experiências exitosas obtidas fora dos muros acadêmicos, como, por exemplo, o caso das famosas Sementes da Paixão. “Elas são mantidas em bancos comunitários de sementes, organizados e mantidos pelos próprios agricultores e agricultoras familiares e se espalham, praticamente, por toda região  semiárida do Nordeste brasileiro. Os relatos dessas experiências nos interessam sobremaneira”, diz Semíramis Ramalho, pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros e atual presidente da Rede.

Ela afirma que o evento deve tratar da diversidade genética dos quatro biomas que se manifestam no Nordeste do Brasil: o Amazônico, a Caatinga, o Cerrado e a Mata Atlântica. Os pesquisadores consideram este último um hotspot do esforço para a conservação de recursos genéticos vegetais no Brasil. A Mata Atlântica é um desafio permanente porque é o bioma com maior presença do homem e, portanto, o mais alterado pela ação humana, restando apenas 8% da sua área original.

Minicursos
O IV Simpósio da RGV-NE oferecerá também uma série de minicursos, que vão abordar, desde as estratégias de coleta de germoplasma, passando pela avaliação da sua variabilidade genética, usando ferramentas moleculares para gerar dados, os quais serão submetidos às análises estatísticas uni e multivariadas. “São ferramentas que podem tornar mais eficiente a conservação de germoplasma e uso dessa variabilidade em programas de melhoramento genético, empregando os princípios da seleção genômica ampla”, detalha Semíramis.

A programação vai contar ainda com palestras sobre o uso da diversidade genética na produção de fitomedicamentos e relatos de experiências no manejo e domesticação dos recursos genéticos vegetais do bioma Caatinga.

Um outro tema que deverá atrair atenção está relacionado aos recursos genéticos vegetais e suas potencialidades para um planeta sustentável, frente às mudanças climáticas globais. “Na verdade, queremos trazer ao público esse tema e a necessidade de compartilhamento na responsabilidade da conservação da riqueza genética do Nordeste. Durante o simpósio haverá apresentação de vitrines tecnológicas, coleções de sementes e bancos de germoplasma das instituições que conservam recursos genéticos vegetais na região”, acrescenta Nair Arriel, pesquisadora da Embrapa Algodão, que coordena a comissão científica do evento.

O evento será liderado pelo Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e terá como parceiros para a realização a Embrapa Algodão de Campina Grande (PB), a Embrapa Tabuleiros Costeiros, de Aracaju (SE), a Embrapa Alimentos e Territórios, de Maceió (AL), o Instituto Nacional do Semiárido (INSA), que também tem sede em Campina Grande, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a Empresa Paraibana de Pesquisa e Extensão Rural (EMPAER).

O tema do Simpósio é “Conservação e Utilização Sustentável dos Recursos Genéticos Vegetais do Nordeste” e a programação, construída com a colaboração das instituições parceiras, considerou as diretrizes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), o Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura (TIRFAA), firmado no âmbito da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as recomendações oriundas das discussões da Conferência das Partes (COP), assim como, as metas firmadas no âmbito de cada Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, do qual o Brasil é signatário.

Pesquisa em redes
A Rede de Recursos Genéticos Vegetais do Nordeste (RGV-NE) foi originada da Rede de Recursos Genéticos Vegetais da Bahia (RGV Bahia), concebida em 2005, como resultado de uma discussão com professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação do Estado da Bahia, sob a liderança do professor Roberto Lisboa Romão, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS-BA).

Naquela ocasião foi idealizado o I Workshop de Recursos Genéticos Vegetais da Bahia, realizado na Fundação Luís Eduardo Magalhães, em Salvador (BA) e foram realizados mais três eventos em diferentes Universidades do estado da Bahia. Em 2011, no evento da RGV-Bahia que foi realizado na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Juazeiro-BA, foi aprovada a ampliação da jurisdição da Rede para atuar em todo o Nordeste brasileiro, transformando-se em Rede de Recursos Genéticos Vegetais do Nordeste (RGV-NE). Essa rede já realizou três eventos, sendo o primeiro em Cruz das Almas (BA), em 2013, um segundo em Fortaleza (CE), em novembro de 2015, e o último em Aracaju (SE), em 2017.

“O simpósio é um espaço privilegiado em que podem ser relatados, de diversas maneiras, dados relevantes sobre a conservação e uso das plantas que povoam os principais biomas no Nordeste brasileiro. Ao mesmo tempo é também possível estudar a agrobiodiversidade existente na região que é muito expressiva e contém germoplasma de grande valia para a busca de genes úteis para o desenvolvimento agropecuário da Região, seja nos sistemas de produção dependentes de chuva seja em sistemas de produção irrigados”, avalia Semíramis.

Germoplasma
Mas antes de encerrar essa matéria, vamos tentar definir melhor o que significa “germoplasma”, porque esse é um termo-chave para essa notícia. Grosso modo, pode-se dizer que são materiais genéticos (células germinativas) conservados in vivo ou in vitro que se encontram plasmados em algum tipo de superfície, biológica.

No nosso caso, vamos tratar apenas do germoplasma vegetal (porque há também o de origem animal e de microrganismos). É o elemento base dos recursos genéticos que possibilita o manejo da variabilidade genética entre e dentro das espécies. Usados nos laboratórios para a pesquisa em geral, especialmente para o melhoramento genético, inclusive por meio das novíssimas técnicas de biotecnologia.

Os bancos de germoplasma são, então, unidades físicas e conservadoras de materiais genéticos para uso imediato ou com potencial de usos no futuro, que guardam a variabilidade por meio da manutenção dos chamados  “acessos”, que são as entradas, ou seja, pequenos lotes de sementes, mudas ou propágulos que entram nesses bancos.

Nesses “bancos”, evidentemente, não se guarda dinheiro ou documentos. O banco de germoplasma, aqui retratado, é um local para guardar a variabilidade genética e informações também valiosíssimas, cujo valor pode ser incomensurável para o planeta e para a perpetuação de espécies. Esse “depósito” é formado a partir da identificação, da caracterização e da preservação de células germinativas de alguns seres vivos, tanto  animal, quanto vegetal ou de microrganismos.

Dalmo Oliveira (0859 MTE-PB)
Embrapa Algodão

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