O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta terça-feira (16) que não vê qualquer irregularidade no pagamento de diárias de hotel durante uma viagem a Lisboa realizada em junho de 2024. O caso é alvo de investigação da Polícia Federal (PF), que apura supostos benefícios concedidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações são do jornal O Globo.
Relatório da PF enviado ao relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, aponta que Vorcaro teria custeado hospedagens para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas, durante um evento realizado na capital portuguesa.
Motta diz que participação em evento foi regular
Ao comentar o caso, o presidente da Câmara classificou o encontro em Lisboa como um evento corporativo e jurídico e afirmou que não identifica qualquer problema em sua participação. “Não vejo problema, é um evento corporativo, um encontro jurídico, que inclusive participei esse ano já como presidente da Câmara, então não vejo problema algum”, disse Motta, de acordo com a reportagem.
A Polícia Federal apura mensagens e documentos relacionados ao evento. Conforme o relatório, Vorcaro teria financiado suítes em um hotel de Lisboa para autoridades brasileiras que participaram da programação.
Investigação aponta preocupação com privacidade
Durante as apurações, os investigadores encontraram mensagens que demonstrariam preocupação do banqueiro com a exposição de encontros privados promovidos junto a integrantes da classe política. Segundo a PF, em uma das conversas, Vorcaro orientou funcionários a reforçarem o controle de acesso ao evento.
Em registros analisados pelos investigadores, também aparecem referências a uma lista restrita de participantes, que incluía o nome de Hugo Motta, além do senador Ciro Nogueira e do deputado federal Luizinho. O relatório destaca ainda que o empresário demonstrou forte preocupação com a privacidade do encontro realizado em Lisboa.
Presidente da Câmara nega conhecimento sobre pedido de sigilo
Questionado sobre um eventual pedido de privacidade relacionado à viagem, Motta afirmou não ter conhecimento do assunto. “Não me recordo do pedido de privacidade, não posso falar por aquilo que eu não fiz”, disse. O presidente da Câmara também evitou responder diretamente se sabia quem havia custeado as despesas de hospedagem durante a viagem.
Motta afirma confiar no resultado das apurações
Ao comentar a investigação, Motta afirmou ter confiança no trabalho dos órgãos responsáveis e defendeu que as apurações ocorram de forma imparcial. “Eu tenho muita tranquilidade com relação a isso. As investigações estão aí, os órgãos estão trabalhando e eu defendo que as apurações possam acontecer da maneira mais isenta e imparcial possível”, afirmou.
O parlamentar também sustentou que sua atuação sempre ocorreu dentro dos parâmetros legais e éticos exigidos pelo exercício do mandato. “Eu sou um deputado que sempre defendi o bom exercício da atividade parlamentar, sempre legislei com responsabilidade e presido a Câmara com essa mesma responsabilidade. Então eu tenho muita tranquilidade com relação a isso e esses vazamentos não me preocupam de forma alguma”, declarou.
Por fim, Motta reiterou que o andamento das investigações deverá confirmar a regularidade de sua conduta. “As investigações vão demonstrar sempre a minha conduta de forma correta, de forma responsável, como tem que ser o exercício da atividade parlamentar em nosso país”, afirmou.
Com Brasil 247
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