O Mercado Livre anunciou a criação de 28,2 mil novos postos de trabalho na área de logística no Brasil ao longo de 2026, em mais uma etapa de sua estratégia de expansão no maior mercado de comércio eletrônico da América Latina.
As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, que destacou que a companhia também prevê a abertura de 14 novos centros de distribuição no país até dezembro. Com isso, a empresa chegará a 48 unidades logísticas no Brasil, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior.
A expansão faz parte do plano de investimentos de R$ 57 bilhões anunciado pelo Mercado Livre para o Brasil em 2026, valor recorde para a operação da empresa no país. Com a contratação dos novos trabalhadores, a equipe de logística passará dos atuais 49,8 mil colaboradores para 78,1 mil funcionários até o fim do ano.
Na América Latina, a operação logística do grupo também crescerá de forma expressiva, passando de 89 mil para 133 mil funcionários.
As principais cidades contempladas com as novas vagas são Cajamar, em São Paulo, com 5,5 mil postos; Araçariguama, também em São Paulo, com 2,5 mil; Governador Celso Ramos, em Santa Catarina, com 2,4 mil; Campinas, em São Paulo, com 1,6 mil; e Extrema, em Minas Gerais, com 930 novas oportunidades.
“O Brasil é um dos maiores mercados de e-commerce do mundo, mas a penetração online ainda é de apenas 17%. Cada novo Centro de Distribuição fortalece esse movimento e continuamos investindo para ampliar o acesso ao comércio eletrônico”, afirmou Patricia Monteiro de Araújo, diretora de Pessoas do Mercado Livre no Brasil.
O avanço ocorre em meio ao forte crescimento do comércio eletrônico brasileiro. Em 2025, o setor movimentou R$ 235,5 bilhões, alta de 15,3% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico.
Para analistas do BTG Pactual, o investimento em centros de distribuição e galpões reforça a estrutura logística do Mercado Livre, especialmente na chamada última milha, etapa final da entrega ao consumidor. O objetivo é reduzir prazos, ampliar a cobertura de frete grátis e elevar a satisfação dos clientes.
“Tempos de entrega mais rápidos e maior cobertura de frete grátis continuam sendo fatores-chave para impulsionar conversão e frequência, especialmente em um ambiente competitivo com pressão crescente de players locais e internacionais”, diz relatório do banco.
Além da logística, o Mercado Livre também aposta na expansão do Mercado Pago, sua fintech, como nova frente de crescimento. A ampliação do crédito pode diversificar as receitas da companhia para além das taxas cobradas no marketplace.
Levantamento da agência Do Follow, com base no Google Trends entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, apontou que o Mercado Livre foi o e-commerce que despertou maior interesse dos consumidores nas buscas feitas pelo Google no Brasil. A empresa apareceu à frente de Shopee e Amazon.
No mesmo período, buscas como “camisa do brasil mercado livre” cresceram mais de 750%, impulsionadas pela Copa do Mundo, enquanto a procura por “cupom mercado livre” avançou 50%, indicando o peso das promoções e descontos na decisão de compra dos consumidores.
No primeiro trimestre de 2026, o Mercado Livre registrou receita líquida de US$ 8,8 bilhões, alta de 49%. O lucro líquido foi de US$ 417 milhões, queda de 15,6%, atribuída aos investimentos em frete grátis e expansão logística.
Com novas contratações, centros de distribuição e investimentos bilionários, o Mercado Livre reforça sua posição na disputa pelo mercado brasileiro de e-commerce, setor que segue em expansão e cada vez mais competitivo.
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