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Lula se diz “otimista” com acordo Mercosul-UE e critica “gente ciumenta” que acionou a Justiça

Presidente comenta entrave jurídico na União Europeia e mantém confiança no acordo Mercosul-UE, destacando potencial econômico e papel da Embrapa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (23) estar otimista em relação ao acordo entre Mercosul e União Europeia, apesar do recurso apresentado pelo Parlamento Europeu à Justiça do bloco. Durante discurso na abertura da Feira Brasil na Mesa, Lula também criticou o que classificou como reação de “gente ciumenta” e destacou o potencial econômico do tratado para ampliar as exportações brasileiras.As declarações foram feitas no evento e ocorrem após a decisão do Parlamento Europeu de enviar o acordo para revisão jurídica no Tribunal de Justiça da União Europeia, aprovada por 334 votos a favor, 324 contra e 11 abstenções, em meio a protestos de agricultores em Estrasburgo.

Lula ressaltou que o questionamento jurídico não deve interromper as negociações. “Eu disse ao primeiro-ministro da Alemanha que o Parlamento Europeu entrou com recurso na Justiça, mas isso não impede que a gente continue negociando”, afirmou. Em seguida, criticou a motivação da medida: “O que é importante é que a gente consiga convencer também a Justiça da União Europeia de que isso é apenas de gente ciumenta que não conhece a qualidade do Brasil”.

O presidente também enfatizou que o acordo não busca prejudicar a produção europeia. “A gente não quer destruir os produtos deles. A gente quer fazer uma política de complementaridade, porque eles produzem coisas diferentes de nós e nós queremos comprar; e eles compram de nós”, disse.

Durante o discurso, Lula destacou o alcance econômico do tratado, mencionando um mercado potencial de 750 milhões de pessoas e um volume de US$ 22 trilhões. Segundo ele, o Brasil já possui centenas de produtos prontos para exportação. “Já temos 540 produtos na bandeja para entregar para os europeus. É só começar a negociação, no dia 1º de maio”, afirmou.

O presidente também associou o sucesso do acordo à necessidade de investimento em pesquisa e inovação, com destaque para o papel da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ele criticou a falta de recursos e defendeu maior apoio institucional. “Para mim, como presidente, é desagradável ver a Embrapa mendigando R$ 1 a mais, alguma coisa a mais”, declarou.

Lula reforçou a importância estratégica da instituição para o país. “A Embrapa não promete, ela entrega. Quanto mais recursos a Embrapa tiver, mais esse país será motivo de orgulho. O mundo inteiro respeita a Embrapa”, disse.

O acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado em 17 de janeiro, em Assunção, após cerca de 25 anos de negociações. A decisão do Parlamento Europeu de submetê-lo à análise jurídica deve atrasar sua entrada em vigor, frustrando expectativas de países favoráveis ao tratado.

DiárioPB Com Brasil 247

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Redação DiárioPB

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