FAKE NEWS

Imagens falsas do Roda Viva vira isca para golpe no X; entenda como funciona

Fraude usa vídeos falsos do Roda Viva, da TV Cultura

Vídeos falsos atribuídos ao programa Roda Viva, da TV Cultura, passaram a circular com frequência no X, antigo Twitter, entre o fim de maio e o início de junho, simulando conflitos em entrevistas que nunca aconteceram. As imagens, criadas com inteligência artificial, fazem parte de um golpe financeiro que tenta atrair usuários para páginas fraudulentas de supostos investimentos.As informações são do Correio Braziliense. A fraude foi detalhada pelo influenciador Raul Sena, fundador do Grupo Investidor Sardinha e do AUVP Capital, que publicou nas redes sociais um alerta sobre o esquema, chamado por ele de “Golpe do Roda Viva”.

Segundo Sena, o golpe começa com uma postagem aparentemente comum no X. A publicação exibe imagens falsas de uma suposta briga ocorrida durante o programa de entrevistas da TV Cultura, com aparência realista o suficiente para despertar a curiosidade dos usuários. Ao clicar no ícone de “play”, a vítima acredita que será direcionada para um vídeo, mas acaba sendo levada a um site falso.

A página fraudulenta imita a identidade visual da TV Cultura e apresenta trechos fictícios de uma entrevista que, segundo o influenciador, jamais existiu. O objetivo é dar aparência de credibilidade ao conteúdo e conduzir o usuário a uma falsa oportunidade de investimento, associada a uma plataforma chamada NeoCapital.

“É mentira, essa entrevista aqui, por exemplo, nunca aconteceu (…) É toda uma conversa que te leva para essa história de NeoCapital. Daí, quando você clica, é um golpe. Trata-se de um sistema automático que pedirá alguns dados seus, e te fará depositar dinheiro em uma conta, após preencher um formulário. Aqui neste texto, eles falam que uma pessoa que começou investindo R$ 1.050 mil tem, agora, R$ 24 mil reais”, explicou o influenciador.

O esquema utiliza uma combinação de imagens manipuladas por inteligência artificial, páginas falsas e comentários fabricados para convencer a vítima de que se trata de uma oportunidade legítima. A estratégia busca explorar a confiança do público em marcas conhecidas, como a TV Cultura, e em formatos jornalísticos reconhecidos, como o Roda Viva.

“Isso aqui nada mais é do que um golpe. Eles estarão te levando diretamente para um golpe, caso tudo seja preenchido. Aqui ainda está cheio de comentários falsos, olha que loucura”, acrescentou Raul Sena.

O influenciador afirmou ainda que protocolou uma denúncia junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Apesar disso, demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de punição dos responsáveis, sob o argumento de que os operadores do golpe provavelmente não mantêm registros suficientes no Brasil.

“Estou aqui, tentando avançar no golpe para investigar, mas é muito complicado. Então, tomem cuidado”, alertou Sena.

A TV Cultura também se manifestou sobre o caso. Na última quinta-feira (4/6), a emissora divulgou um comunicado oficial nas redes sociais informando que atua “contra fake news criadas com inteligência artificial e uso indevido de seus conteúdos”.

No comunicado, a emissora afirmou que não autoriza o uso nem a alteração de suas propriedades intelectuais por meio de inteligência artificial para produzir conteúdos enganosos. A empresa também repudiou a exposição indevida de jornalistas, apresentadores e colaboradores em materiais falsos.

“A instituição não aprova a utilização e a alteração de suas propriedades intelectuais, por meio de Inteligência Artificial, para a criação deliberada de conteúdo enganoso e a exposição inapropriada de seus jornalistas, apresentadores e colaboradores”, afirmou a TV Cultura, em nota.

O caso reforça a preocupação com o uso de inteligência artificial em crimes virtuais. Ao simular cenas realistas envolvendo veículos de comunicação conhecidos, os fraudadores aumentam o potencial de convencimento e ampliam o risco de prejuízo financeiro às vítimas.

Especialistas em segurança digital recomendam atenção redobrada diante de publicações sensacionalistas, especialmente quando envolvem promessas de ganhos rápidos, supostos investimentos milagrosos ou links externos disfarçados de vídeos. No caso relatado, o conteúdo falso usava a imagem do Roda Viva para conduzir usuários a um formulário e induzi-los a transferir dinheiro para uma conta controlada pelos golpistas.

A orientação principal é verificar sempre o endereço do site antes de fornecer dados pessoais ou financeiros, desconfiar de promessas de rentabilidade elevada e checar se o conteúdo foi publicado nos canais oficiais da emissora ou do programa citado. No episódio envolvendo o Roda Viva, tanto Raul Sena quanto a TV Cultura negaram a veracidade das imagens e alertaram para o caráter fraudulento das publicações.

Com Brasil 247

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Redação DiárioPB

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