POLÍTICA

Guilherme Boulos diz que se dedicará a unir a esquerda no Brasil

Agora dono de um dos mais densos capitais eleitorais do país depois que disputou o segundo turno para a Prefeitura de São Paulo, o líder do PSOL vai ter atuação permanente, não só às vésperas da eleição, para unir essas forças em uma frente de esquerda

Brasil 247 – Guilherme Boulos (PSOL), dono de um dos mais densos capitais eleitorais do país depois que disputou o segundo turno para a Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL) e conquistou 2,1 milhões de votos (40,62% dos votos válidos), com o apoio de PT, PC do B, PDT, PSB, Rede, PCB e UP, Boulos diz em entrevista à Folha de São Paulo que atuará permanentemente e não só às vésperas da eleição, pela união da esquerda brasileira.

A entrevista foi concedida nesta segunda-feira por meios virtuais porque Boulos se encontra confinado por ter contraído a Covid-19.

Guilherme Boulos considera que seu forte desempenho eleitoral indica uma tendência de fortalecimento do chamado campo progressista. “A lição que fica é a da importância da unidade. E acho que a gente vai saber amadurecer”, disse. Ele aglutinou em torno de sua candidatura no segundo turno PT, PC do B, PDT, PSB, Rede, PCB e UP, assinalam os jornalistas Carolina Linhares e Joelmir Tavares na Folha de S.Paulo

“Por que o sr. perdeu a eleição?” – perguntaram os entrevistadores. Segundo Boulos, é necessário analisar uma série de fatores, “começar pelas condições desiguais desde o princípio. Eu tinha 17 segundos na televisão, e Bruno Covas tinha quase quatro minutos”.

Boulos destaca que no segundo turno “que foi o mais curto da história das eleições, as condições se igualaram do ponto de vista de TV, mas não do de recursos. As restrições colocadas pela pandemia também afetaram mais diretamente uma campanha como a minha, de mobilização muito forte, de rua”, diz.

O líder do PSOL afirma que tem um sentimento profundo de missão cumprida, apesar de não ter ganhado a eleição. “Eu e a [Luiza] Erundina [candidata a vice, também do PSOL] plantamos esperança. Uma campanha feita em condições muito desiguais, uma batalha de Davi contra Golias”.

Ao longo da campanha, conseguimos fazer uma mensagem ecoar, a de que essas pessoas, que muitas vezes são invisibilizadas e abandonadas pelo poder público, não estão sozinhas. E não foi por acaso que tivemos uma vitória importante em vários distritos da periferia.

Boulos diz que no telefonema que fez a Bruno Covas para cumprimentá-lo pela vitória parabenizou-o e desejou boa sorte ao prefeito reeleito. Questionado sobre o que espera do novo governo dele, disse: “Espero que tenha o mínimo de humildade de entender também um recado que as urnas deram. É verdade que elas deram uma vitória para ele, mas 2 milhões de paulistanos, que votaram no nosso projeto, votaram pela mudança”.

Questionado se a partir de agora, passa a ter um olhar mais para as questões nacionais ou vai se concentrar no plano local, como oposição a Covas e Doria, Boulos respondeu: “Eu moro em São Paulo, então naturalmente estou ligado às questões de São Paulo, como sempre estive. Mas também fui candidato a presidente da República. A partir do ano que vem, mesmo estando vinculado aos temas de São Paulo, ao enfrentamento da desigualdade na cidade, vou estar mais focado em temas nacionais com o desafio de ajudar a construir uma unidade no campo progressista e da esquerda”.

Boulos está convencido de que “é que é possível uma articulação e uma união de figuras de campos de esquerda que estavam afastadas até aqui” E que não é oportuno debater agora sobre nomes para futuros embates eleitorais, como por exemplo para governo do estado ou a Presidência da República.

E sobre os esforços pela unidade das forças progressistas, foi enfático: “O que está na minha pauta agora não é a próxima eleição. Neste momento, estou preocupado em ajudar a organizar forças progressistas e democráticas da sociedade para enfrentar esses desafios”.

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