BRASIL

Flávio Bolsonaro pressionou Vorcaro para agilizar repasses do filme Dark Horse

Conversas revelam que aporte ao filme sobre Jair Bolsonaro foi tratado como urgência após cobrança feita pelo senador

Novas mensagens obtidas pelo site The Intercept Brasil revelam que o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, passou a tratar como prioridade máxima os repasses destinados ao filme “Dark Horse”, projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro (PL), após uma cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a reportagem, o banqueiro determinou que os pagamentos ligados ao longa-metragem recebessem atenção especial mesmo diante da existência de dezenas de milhões em desembolsos pendentes e em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelo Banco Master.

Cobrança de Flávio Bolsonaro antecedeu mudança de prioridade

Os documentos analisados pelo Intercept mostram que, em 20 de janeiro de 2025, data prevista para o primeiro aporte financeiro do projeto, o empresário Thiago Miranda, apontado como articulador da aproximação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, procurou o banqueiro para cobrar agilidade na operação. “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço”, escreveu Miranda.

Na mesma conversa, ele encaminhou uma mensagem atribuída a Flávio Bolsonaro. Nela, o senador pede que o empresário pressione o setor jurídico do investidor para destravar o aporte.

“Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”, escreveu Flávio. O senador acrescentou: “lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só.” “Eles me perturbam e eu te perturbo aqui!! rs”, concluiu.

Após receber a cobrança, Vorcaro respondeu de forma breve: “vou atrás aqui”.

Pagamentos do filme ganharam tratamento especial

Naquele período, a administração dos pagamentos pessoais e empresariais de Vorcaro estava sob responsabilidade do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e considerado um de seus principais homens de confiança.

Em mensagens trocadas no dia seguinte à cobrança, Zettel informou que havia R$ 55,5 milhões em pagamentos pendentes e pediu orientação sobre quais compromissos deveriam ser priorizados. “Me dá um norte?”, escreveu. Em seguida, acrescentou: “mesmo que seja ‘não faz porra nenhuma até eu voltar’…” Pouco depois, informou: “total = 55,5M.”

Ao ser questionado sobre quais pagamentos deveriam ser realizados, Vorcaro demonstrou preocupação específica com o projeto cinematográfico. “O filme tá nesse negócio?”, perguntou. Zettel respondeu que não e explicou que o projeto não estava entre os pagamentos em processamento naquele momento.

“Esse é o mais importante disparado”

A preocupação de Vorcaro com o filme voltou a aparecer dias depois. Em 28 de janeiro de 2025, o banqueiro procurou novamente Zettel para saber se o pagamento havia sido efetuado. “Filme vc pagou?” questionou.

A resposta foi negativa. “Irmão, não vem 1 real tem 3 semanas… kkkkkkk. Paguei foi nada…”, respondeu Zettel. Em seguida, o operador financeiro informou que o projeto sequer integrava a lista de prioridades. “E filme não está na lista de 55.5.”

Foi então que Vorcaro enviou a mensagem considerada central pela investigação. “Esse é o mais importante disparado”, escreveu. Na sequência, reforçou: “não pode falhar mais.”

Aportes milionários para o projeto

Segundo documentos obtidos anteriormente pelo The Intercept Brasil, o planejamento financeiro previa quase US$ 24 milhões em aportes para o projeto cinematográfico, valor que correspondia a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época.

A investigação revelou ainda que, até maio de 2025, pelo menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do filme. O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Contexto financeiro do Banco Master

As mensagens ganham relevância diante do cenário enfrentado pelo Banco Master naquele período. Na época, o Banco Central já havia intensificado cobranças relacionadas à liquidez e à capitalização da instituição desde o fim de 2024. Paralelamente, o grupo buscava novas fontes de recursos para sustentar suas operações.

Mesmo nesse contexto, as conversas indicam que os aportes destinados ao filme da família Bolsonaro receberam tratamento prioritário dentro da estrutura financeira comandada por Daniel Vorcaro.

O Intercept Brasil informou que procurou Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda e Paulo Calixto para comentar o conteúdo revelado pela investigação, mas não obteve retorno.

Com Brasil 247

Curta e inscreva-se no canal do DiárioPB no YouTube. Seu apoio fortalece o jornalismo independente! Clique aqui para acessar o canal

Redação DiárioPB

Portal de notícias da Paraíba, Brasil e o mundo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo