Familiares de Marielle
Marielle e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em 14 março de 2018 – Mário Vasconcellos / Câmara de Vereadores Rio

A família da vereadora Marielle Franco, assassinada em 14 de março do ano passado, acionou advogados após vazamento de um áudio que difamava e insultava a imagem da política. A informação foi dada pela irmã de Marielle, Anielle Silva, que soube do áudio mesmo fora do país. Ele foi gravado pela presidente da Torcida Soberanos Beija-Flor, da agremiação de samba de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Nele, ela chega a se comparar com a política assassinada e afirma que ela “já morreu tarde”.

A responsável pela torcida se mostra indignada com as homenagens feitas pelas escolas de samba à vereadora durante os desfiles. “Eles querem provar que aquela pir**** da Marielle vive, aquela filha da p*** está morta. E que fique morta lá”, reclamou. Em outra parte da gravação, ela fala sobre a associação entre samba e política. “Isso é pura palhaçada. Estão misturando samba com política e está ridículo. O enredo foi para falar um monte de coisa para exaltar uma pessoa que, desculpa, nunca tinha ouvido falar do nome dela até o dia em que falaram ‘Marielle morreu’”, criticou.

No áudio, a presidente da torcida ainda se compara com a política assassinada. “Querem santificar essa mulher porque ela era negra, pobre, lésbica e o ca*****. Então eu, no meu lugar de mulher, que não sou lésbica, que não sou negra, que não sou o ca***** e não sou política, eu não gosto desse tipo de posicionamento. Eu me vejo em desvantagem nessa situação porque, se eu morrer, f***-se, é mais uma branquela que morreu. [...] Ah f***-se ela. Quer saber? Já morreu tarde”, esbravejou a dirigente.

Para a mãe de Marielle, Marinete Silva, trata-se de uma situação “desagradável” principalmente porque a filha “nem está aqui para se defender”. “Se ela falou mal da minha filha, é porque não a conheceu. Acho bem desagradável que qualquer pessoa, principalmente uma mulher, que não a conheceu ou não saiba da história da minha filha fale mal dela. Porque, como qualquer outro ser humano, ela tinha defeitos, mas falar mal é um pouco de mais”, afirmou, chateada.

Ela ainda ressaltou a data comemorativa do Dia Internacional da Mulher. “A gente já passa por tanta violência física, moral e de todos os tipos, que é desnecessário. Até mesmo por hoje ser uma data de resistência. Estamos resistindo a tanta coisa. É muito difícil. Eu, como mãe, fico muito triste com isso, ainda mais por ter vindo de uma mulher. Mas eu posso garantir que não deve ser alguém que tenha conhecimento da história da minha filha e ela não tem o direito de falar de ninguém”, desabafou.

Por meio de nota nas redes sociais, a torcida pediu desculpas “pelos atos ocorridos na quarta-feira de cinzas de 2019″. Eles ainda afirmam: “rechaçamos qualquer discurso de ódio, racista, misógino e de apologia à violência. Fomos criados pautados no respeito e no amor ao nosso pavilhão maior”. Por fim, parabenizaram a Mangueira, escola de samba vencedora do carnaval deste ano, além de reafirmar o apoio à Beija-Flor, agremiação da torcida. Veja abaixo:

O DIA

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