
O resultado do Edital 60.008/2025 – PNAB Ciclo 2, voltado ao fomento de projetos culturais, tem gerado uma onda de questionamentos entre proponentes em João Pessoa. Relatos apontam inconsistências nos pareceres, divergência de critérios e avaliações que não condizem com os materiais apresentados.
Entre as principais críticas está a incoerência entre análise descritiva e pontuação atribuída. Em um dos casos relatados, um projeto reconhecido no próprio parecer como voltado a públicos em situação de vulnerabilidade recebeu nota zero em critérios relacionados à atuação social e composição de equipe. Para os proponentes, esse tipo de avaliação levanta dúvidas sobre a consistência dos critérios aplicados.
Outro ponto recorrente é a discrepância entre pareceristas. Há situações em que um avaliador apresenta análise detalhada, abordando diferentes aspectos do projeto, enquanto outro se limita a poucas linhas, sem aprofundamento técnico. Essa diferença de abordagem tem sido interpretada como sinal de ausência de padronização no processo avaliativo.
Em outro caso concreto, um projeto submetido com portfólio extenso, contendo registros fotográficos, materiais de imprensa, contratos e comprovações diversas, foi classificado como “sucinto” em um dos pareceres, enquanto outro avaliador reconheceu a relevância e consistência do material. A divergência reforça a percepção de que nem todos os avaliadores analisaram os conteúdos com o mesmo nível de atenção.
Há ainda relatos de projetos que receberam avaliações contraditórias quanto à estrutura técnica. Em um caso, um parecer apontou ausência de equipe, enquanto outro reconheceu a capacidade operacional da proposta e a experiência comprovada da proponente, evidenciando interpretações divergentes sobre o mesmo conteúdo submetido.
Outro aspecto levantado pelos participantes é a presença de pareceres considerados genéricos, com redação pouco específica e sem detalhamento técnico suficiente para justificar as notas atribuídas. Para os proponentes, isso dificulta a compreensão dos critérios utilizados e compromete a transparência do processo.
Diante desse cenário, cresce entre os participantes a defesa por maior rigor técnico e padronização nas avaliações, além de mecanismos que assegurem coerência entre análise e pontuação. A expectativa é de que o processo de recursos contribua para uma revisão mais criteriosa dos projetos e para o aperfeiçoamento das futuras seleções.
A reportagem deixa espaço aberto para manifestação da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) ou da comissão responsável pelo edital, caso desejem prestar esclarecimentos sobre os critérios adotados na avaliação dos projetos.
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