Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (9), a Operação Chargeback para desarticular um grupo suspeito de aplicar fraudes contra o Mercado Livre e o Mercado Pago, em um esquema que teria causado prejuízo confirmado de mais de R$ 263 mil. Três pessoas foram presas até o momento, segundo Mirelle Pinheiro, do Metrópoles.Entre os alvos da ação estão um casal de pastores. Durante o cumprimento dos mandados, policiais também realizaram buscas em uma igreja. A ofensiva foi conduzida pela 3ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (3ª Dicciber), vinculada à Divisão de Crimes Cibernéticos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
A Justiça autorizou oito mandados de prisão temporária e 15 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em endereços na capital paulista, em Guarulhos e em São Caetano do Sul, no ABC paulista.
Fraude usava mecanismo de contestação de compras
De acordo com a investigação, o grupo explorava o chamado chargeback, mecanismo usado no mercado financeiro para contestar transações feitas com cartão de crédito. O procedimento é legítimo quando há cobrança indevida, fraude ou problema na compra, mas, segundo a Polícia Civil, teria sido usado de forma criminosa pelos investigados.
O golpe começava com a criação de links de pagamento por integrantes da organização. Esses links eram encaminhados a comparsas, em geral pessoas próximas ao grupo, que realizavam as transações. Depois da compensação dos valores, o dinheiro era rapidamente distribuído para contas de terceiros, o que dificultava o rastreamento da movimentação financeira.
Na etapa seguinte, os próprios compradores contestavam as operações junto às operadoras dos cartões de crédito, alegando irregularidades na cobrança. Com a contestação, recebiam o estorno. Como os valores já haviam sido retirados do sistema e transferidos para outras contas, o prejuízo ficava concentrado no ecossistema Mercado Livre e Mercado Pago.
Prejuízo confirmado passa de R$ 263 mil
Segundo os investigadores, apenas em dezembro de 2024 foram identificadas 27 operações fraudulentas. O prejuízo confirmado nesse período chegou a R$ 263.512,82. A Polícia Civil, no entanto, apura se a movimentação real da organização criminosa pode ter sido maior.
Os suspeitos poderão responder por associação criminosa, estelionato eletrônico e outros crimes que venham a ser identificados no decorrer das investigações. As apurações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Crimes Cibernéticos.
Com Brasil 247
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