O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (24), durante ato de campanha em Maceió (AL), que o eleitor deverá escolher entre “alguém que montou uma quadrilha no INSS” e “alguém que prendeu a quadrilha”, em uma acusação dirigida ao campo adversário. O petista também usou o discurso para defender investimentos em educação, indústria tecnológica e soberania sobre minerais críticos.
O comício foi realizado na Praça Marechal Deodoro, no Centro da capital alagoana. Lula participou da mobilização ao lado de aliados como o senador Renan Filho (MDB), candidato ao governo de Alagoas, e o senador Renan Calheiros (MDB), que disputa a reeleição. A programação da campanha previa o início do ato às 19h.
Ao abordar as investigações sobre descontos irregulares em aposentadorias e pensões, Lula estabeleceu um contraste entre seu governo e os adversários.
“Você tem que escolher entre alguém que montou uma quadrilha no INSS ou alguém que prendeu a quadrilha”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Eles criaram a quadrilha e nós prendemos a quadrilha.”
Lula atribuiu o surgimento do esquema ao período iniciado em 2019 e afirmou que sua gestão identificou os envolvidos, efetuou prisões e restituiu recursos aos beneficiários. Segundo o presidente, cerca de R$ 3,5 bilhões foram pagos a aproximadamente 5 milhões de aposentados.
O presidente também reivindicou como parte do legado de seus governos programas sociais e obras de infraestrutura, citando o Luz para Todos, o Bolsa Família, a transposição do Rio São Francisco, universidades, institutos federais e o Pé-de-Meia. Ao falar da chegada da energia elétrica a comunidades pobres, relacionou a política pública à ampliação do consumo e da atividade econômica local.
Na área da educação, Lula prometeu ampliar o ensino em tempo integral e voltou a defender políticas que permitam aos estudantes de baixa renda permanecer na escola e chegar ao ensino superior.
“É por isso que agora eu vou fazer escola de tempo integral em todas as escolas em todo o país. A criança vai ficar o dia inteiro na escola, vai aprender as matérias humanas e exatas, mas vai aprender também a questão do meio ambiente, vai aprender música, vai aprender dança”, declarou.
Lula também associou educação à autonomia econômica das mulheres e defendeu a igualdade salarial. “Trabalho igual, salário igual”, afirmou. Em outro trecho, disse que a formação profissional pode ampliar a independência feminina e voltou a condenar a violência doméstica.
O presidente apresentou ainda a formação tecnológica como um dos eixos que pretende priorizar em um eventual novo mandato. Citou inteligência artificial, transição energética, terras raras e minerais críticos como áreas nas quais o Brasil deveria qualificar trabalhadores e desenvolver capacidade industrial própria.
“Eu quero inteligência artificial em língua portuguesa, e não em inglês ou chinês. Eu quero provar que a meninada brasileira não deve nada a ninguém”, disse.
Ao tratar dos minerais críticos, Lula defendeu que a exploração dos recursos seja acompanhada de processamento e industrialização no Brasil, em vez da simples exportação de matérias-primas. O presidente relacionou a proposta à produção de baterias, componentes eletrônicos e chips.
O petista também voltou a falar sobre as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e afirmou que o Brasil deve buscar outros mercados quando enfrentar barreiras às suas exportações. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Neste país, quem manda é o povo brasileiro”, declarou.
DiárioPB com Brasil 247