Bandeira rasgada brasilJá escreveu o então Cardeal Primaz do Brasil, Dom Lucas Moreira Neves, que a crise do Brasil era moral (e continua sendo, digo), no que concordo com ele. Ironia do destino ou não ele era primo em terceiro ou quarto grau do também falecido Tancredo Neves e, claro, do candidato derrotado à presidência Aécio Neves. Verdade é que corrupção, vigarice, cinismo não faltam à política brasileira, mas também ao empresariado que negocia com os políticos e aos que não negociam também, os industriais e os banqueiros não ficam de fora, a grande maioria dos comerciantes que posam de santo e dizem que trabalham muitíssimo é de uma desonestidade de fazer dó, uma boa parte das pessoas físicas da sociedade também não dá prego sem estopa. Ufa! Quem se salva neste mar de lama! Alguns pobres que insistem em manter o nome como o único patrimônio inalienável.

Na política então, já virou cantilena a corrupção e a bandalheira; se alguém chegar lá com fumos de honestidade, seus pares tratam logo de aliciá-lo. De forma que como a corrupção é tamanha e geral a sociedade, ainda que em grande parte bastante corrompida, vez por outra elege um para como que simbolizar a peraltice do resto dos parlamentares, sempre assim. Foi dessa forma entre os anos de 1930 e 60 com o político paulista Ademar de Barros que cunhou a expressão “rouba, mas faz”; outro paulista sobressaem neste cenário o Paulo Maluf, na ativa desde os anos 1960 até hoje, cujas peripécias é do conhecimento de todos: se sair do quintal do Brasil a polínter o grampeia, ele inclusive roubou a máxima de seu conterrâneo Ademar, suas estripulias são tantas que já está com 85 anos e não se foi ainda; é que o Demônio está muito relutante em recebê-lo; da década de 1960 aos anos 2000, imperava o baiano Antônio Carlos Magalhães, cujo epíteto era Toninho Malvadeza, esse dispensa apresentação; no início dos anos 1990, o Fernandinho e sua república das Alagoas abalaram os já rotos alicerces da política brasileira, conta-se cobras e lagartos deste período, verdade é que ele foi defenestrado, alias, faltou coragem e renunciou antes, ele voltou e continua agarrado ao suculento osso. Sobre este, basta dizer que seu pai, Arnon Afonso de Farias Melo, quando senador, em 04 de dezembro de 1963 disparou três tiros contra o senador Silvestre Péricles, seu inimigo político, dentro do Senado Federal. O senador Péricles estava na tribuna, a cinco metros de distância, e não foi atingido; Arnon de Melo acertou erroneamente um tiro no peito do senador José Kairala, do Acre, que morreu em seu último dia de trabalho. Apesar do assassinato, e ainda que tenha sido dentro do Senado Federal, na presença de inúmeras autoridades, Arnon de Melo não teve seu mandato cassado nem qualquer punição imposta pela Mesa; já no final dos anos 1990, assomou no cenário político nacional o furacão do Acre, como deputado federal, Hildebrando Pascoal, esse era gente boa, afora surrupiar o dinheiro público, apenas retalhava seus desafetos com motosserra, e dissolvia os copos de outro em acido , para não deixar rastro!(sic). Então, exemplo de mau-caratismo na política nacional é o que não falta.

Nos dias atuais parece que encarnou esse exemplo de mal, de torpe na vida parlamentar, o ex-deputado, agora cassado Eduardo Cunha (Deo gratia). Olhando seu perfil, dá para concluir que o demônio foi muito generoso com ele, são inúmeros defeitos e vícios em uma pessoa só. Corrupto, mentiroso, vingativo, dissimulado, trapaceiro, blefador, e por aí vai… Não é muito por acaso que a ONG transparência mundial está usando sua figura como símbolo da corrupção, deveria utilizar a imagem de toda a direita brasileira. Claro que nessa atitude de tal ong resside muito de preconceito contra o Brasil, senão vejamos: ela nunca usou a imagem de George W. Bush, nem de Dominique Strauss-Kahn, etc., mas isso é importante para o rato de esgoto do Cunha e todos os outros ratos de sua corja saberem que lá fora, mesmo eles entregando de bandeja nosso dinheiro ao estrangeiro, esses países os veem como RATOS e nada mais.

Mas o que mais me espanta, nessas pessoas que vivem para o mal, é a capacidade que têm de torcerem as coisas a seu favor, de pôr a culpa nos outros, de tentar confundir as poucas pessoas que no Brasil mantêm os olhos abertos para a realidade dos fatos. Por exemplo, ao ser entrevistado logo após a cassação disse ele que fora cassado por vingança do PT. Ora, todos sabem que a presidenta Dilma teve seu posto usurpado exatamente por vingança dele (do Cunha) contra ela, raivoso porque o PT não aceitou votar nele para livrá-lo da cassação no início do processo, quando se engendravam a ida do dito processo para o Conselho de Ética da Câmara. Pois é, caro leitor, por incrível que pareça, lá existem grupos que ousam utilizar o nome da ÉTICA. Também me espanta o cinismo e a caradura do Eduardo Cunha, ao dizer, em cadeia nacional, que é inocente. Tudo bem, que o ser humano tem o dom de mentir, pela graça pela natureza, mas isso não é mentira, é cinismo.

Espanta-me também o fato de que os mais podres e maquiavélicos da fauna que povoa o Congresso façam parte, ainda que para fins utilitaristas, das seitas neopentecostais, ditas evangélicas. O Cunha frequenta(va) também esse ambiente, o Marcos Feliciano idem, esse é outro que se souberem chacoalhar com jeito cairá logo. Parece que essas pessoas que se dizem religiosas e se acham santas, ou rasgaram a Bíblia, ou não leem o Livro do Êxodo, ou são míopes para só verem o que querem, ou são esquizofrênicas ou são cínicas mesmo. Porque elas veem todo tipo de pecado para impingir sobre as pessoas néscias que lhes dão confiança, mas são incapazes de verem o sétimo mandamento: NÃO ROUBARÁS!

Então, fica a dica. O mundo inteiro está de olhos no quintal brasileiro. A direita raivosa pode, pela força e pelo cinismo, fazer o que quiser aqui dentro, mas aos que defendem a vida, a justiça e a dignidade humana resta resistir e denunciar em todo o mundo o que aqui ocorre para que aonde esses afanadores do dinheiro e do direito do povo forem, todos os olhares que se dirigirem a eles saibam que estão olhando um assaltante do povo.

 

COMPARTILHAR

DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO


× 2 = dois