O Dia dos Namorados, celebrado nesta sexta-feira (12), amplia a atenção de especialistas para o uso inadequado da tadalafila, medicamento indicado para tratar disfunção erétil, mas cada vez mais consumido de forma recreativa por homens jovens e adultos em busca de melhor desempenho sexual.
As informações são da CNN Brasil. Segundo a apuração, a popularização do fármaco nas redes sociais e sua ampla presença nas farmácias acenderam alertas da Anvisa e de médicos sobre riscos graves, especialmente quando o uso ocorre sem prescrição ou em combinação com bebidas alcoólicas.
A tadalafila, também conhecida popularmente como “tadala”, é indicada principalmente para homens com disfunção erétil, especialmente a partir dos 40 anos. Apesar disso, o medicamento ganhou fama entre pessoas sem diagnóstico clínico, impulsionado pela promessa de aumento de performance sexual e por conteúdos disseminados em plataformas digitais.
O crescimento do consumo ajuda a explicar a presença do remédio entre os genéricos mais vendidos do país. Em 2024, a tadalafila apareceu como o quinto genérico mais comercializado no Brasil, dado que reforça a dimensão do uso do medicamento no mercado nacional.
Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que, em homens sem problemas fisiológicos, o efeito pode ser mais psicológico do que físico. Nesses casos, o medicamento funcionaria como uma espécie de “bengala psicológica”, sem necessariamente produzir ganho real de desempenho. Em jovens sem diagnóstico de disfunção erétil, a percepção de melhora pode estar associada ao efeito placebo.
O uso recreativo, no entanto, não é isento de riscos. De acordo com informações da Anvisa citadas pela CNN Brasil, o consumo inadequado desse tipo de substância pode provocar efeitos graves, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), queda acentuada da pressão arterial, perda de visão ou audição e dependência psicológica.
A preocupação é ainda maior quando há uso excessivo ou associação com outras substâncias. A chamada “overdose de tadala” pode ocorrer quando o medicamento é consumido em doses acima das recomendadas ou sem avaliação médica, aumentando a possibilidade de reações adversas no sistema cardiovascular e em outras funções do organismo.
Outro ponto de alerta envolve a saúde ocular. Um estudo da University of British Columbia citado na reportagem aponta que usuários regulares de medicamentos dessa classe apresentaram aumento de 85% no risco de desenvolver condições graves relacionadas à retina ou ao nervo óptico.
A combinação da tadalafila com álcool também pode comprometer o resultado esperado por quem usa o remédio de forma recreativa. Segundo a reportagem, bebidas alcoólicas podem gerar efeito paradoxal, reduzindo a atividade dopaminérgica e prejudicando a disposição no momento da relação sexual.
No contexto do Dia dos Namorados, médicos e autoridades sanitárias reforçam que medicamentos para disfunção erétil não devem ser usados como solução estética, recreativa ou de performance. A orientação é que qualquer tratamento seja feito com avaliação profissional, respeitando as condições de saúde de cada pessoa e os limites do organismo.
O alerta ganha relevância em uma data marcada por encontros, eventos e celebrações entre casais. Embora a tadalafila seja um medicamento legalizado e amplamente disponível, seu uso sem acompanhamento médico pode transformar a busca por desempenho em risco concreto para o coração, a visão, a audição e a saúde geral.
DiárioPB com Brasil 247 e CNN
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