Usuários brasileiros inundaram as redes sociais com montagens do ex-jogador Vampeta após uma publicação do Departamento de Estado dos Estados Unidos defender a supremacia americana no Hemisfério Ocidental e resgatar a chamada Doutrina Monroe.
A reação foi registrada pelo blog #Hashtag, da Folha de S.Paulo, depois que o perfil do governo Donald Trump publicou, na terça-feira (11), uma peça em defesa do histórico de intervenções dos Estados Unidos na América Latina. O texto termina com a frase: “O domínio americano no Hemisfério Ocidental jamais será questionado novamente.”
A declaração provocou uma onda de respostas de brasileiros no X, antigo Twitter, com o chamado “vampetaço” — prática em que imagens do ensaio nu feito pelo ex-atleta são usadas como forma de protesto digital contra autoridades, governos ou personalidades estrangeiras vistas como hostis ao Brasil.
Entre as publicações, internautas associaram a imagem de Vampeta a mensagens como “Brasil soberano” e “Doutrina Vampeta neles”. Outras montagens fizeram ataques diretos a Trump, incluindo a frase “Trump está na lista do Epstein”, em referência às supostas ligações do presidente norte-americano com Jeffrey Epstein, financista condenado por crimes sexuais.
Também circularam versões dos memes com defesa do Brics, bloco do qual o Brasil faz parte ao lado de países como China, Rússia, Índia e África do Sul. Nas postagens, o grupo aparece como contraponto à influência dos Estados Unidos e à política externa defendida na mensagem do governo norte-americano.
A Doutrina Monroe, formulada no século 19, passou a ser historicamente associada à ideia de predominância dos Estados Unidos sobre as Américas. Ao retomar esse imaginário em tom assertivo, a publicação do Departamento de Estado foi interpretada por parte dos usuários brasileiros como uma tentativa de legitimar a tutela norte-americana sobre a região.
O “vampetaço” já havia sido usado em outros episódios recentes de tensão envolvendo o Brasil e atores estrangeiros. Segundo a Folha, a prática apareceu após o anúncio de uma investigação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil, em reações a ataques do empresário Elon Musk ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e também em manifestações relacionadas à guerra em Gaza.
No caso mais recente, a mobilização combinou humor, provocação política e defesa da soberania nacional. As respostas brasileiras transformaram uma publicação diplomática norte-americana em alvo de memes, em uma reação que expôs a rejeição de parte das redes à retórica de domínio dos Estados Unidos sobre o continente.
DiárioPB com Brasil 247