POLÍTICA

Bolsonaro e Guedes mentem descaradamente para atrair “petrodólares” em Dubai

Com política predatória que bate recordes históricos de devastação da floresta, Bolsonaro disse que Amazônia "não pega fogo" e está "90% igual a 1500". Guedes afirmou que Brasil crescerá 5,5%. Dados do próprio governo desmentem declarações.

Ignorando indicadores do próprio governo, Jair Bolsonaro (Sem partido) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, mentiram descaradamente em palestras a investidores no Invest in Brasil Forum, em Dubai, nesta segunda-feira (15). No dia anterior, Guedes disse que a gigante comitiva do governo está em busca de “petrodólares” na capital dos Emirados Árabes.

Na abertura do evento, Bolsonaro – que criticou a COP26 dias antes – mentiu ao dizer que a Amazônia “não pega fogo”.

“Nós queremos que os senhores conheçam o Brasil de fato. Uma viagem e um passeio pela Amazônia é algo fantástico, até para que os senhores vejam que a nossa Amazônia, por ser uma floresta úmida, não pega fogo. Que os senhores vejam realmente o que ela tem. Com toda certeza, uma viagem inesquecível”, afirmou.

O presidente seguiu mentindo sobre a floresta ao dizer que “mais de 90% daquela área está preservada, está exatamente igual quando foi descoberto no ano de 1500″.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao governo federal, desmentem Bolsonaro, que coleciona recordes de desmatamento da Amazônia em seu governo.

Em agosto, a Amazônia registrou 28.060 focos de queimadas em agosto. O número está acima da média histórica e é o terceiro maior índice para o mês desde 2010, perdendo apenas para 2019 e 2020, também durante o governo Bolsonaro.

O Inpe afirma ainda que a Amazônia soma 39.427 registros desde o começo do ano até agosto. No ano passado, o mesmo período teve 44.013 focos de incêndio.

“Desde 2019, a quantidade de focos de calor registrada em agosto tem atingido patamares absurdos. É como se o governo tivesse criado um ‘padrão Bolsonaro’ de destruição, onde os focos de calor e desmatamento são bem superiores em comparação ao período anterior à gestão de Bolsonaro [antes de 2019]”, disse a gestora ambiental do Greenpeace, Cristiane Mazzetti em entrevista ao portal G1.

Guedes mente sobre crescimento da economia

Depois de Bolsonaro, foi a hora de Paulo Guedes mentir no evento, dizendo que o “Brasil cresce acima da média mundial”.

“O Brasil foi uma das economias que menos caíram, voltaram mais rápido, criaram mais empregos e estamos crescendo, também, acima da média mundial. Isso, graças à orientação do nosso presidente de não deixar nenhum brasileiro para trás durante a pandemia”, afirmou.

Guedes também contraria dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), que em setembro estimou que o Brasil crescerá menos que a média mundial em 2021 e em 2022.

Segundo a OCDE, o Brasil deve crescer 5,2% neste ano, abaixo dos 5,7% da média mundial e bem atrás de países como China (8,5%), Turquia (8,4%), Argentina (7,6%), Espanha (6,8), Reino Unido e Índia (6,7%).

Sob o comando de Guedes, o crescimento da economia brasileira também ficará abaixo da média dos países do G20, de 6,1%. Para 2022, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que o Brasil terá um crescimento pífio, de 1,5%, o menor entre todos os membros do G20. A Índia lidera o ranking, com projeção de 8,5%.

Guedes ainda mentiu descaradamente projetando que o Brasil crescerá “5,5% esse ano”, um porcentual que não encontra lastro nem nas projeções da própria equipe econômica.

A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia estimou, em boletim divulgado em setembro, que o PIB brasileiro crescerá 5,3% no ano.

Já o boletim Focus, do Banco Central, que vem reduzindo semana a semana a previsão, estimou que o país crescerá 4,93% no último dia 8.

Paraíso de investimentos

Repetindo Bolsonaro sobre a Amazônia, Guedes ainda afirmou que o Brasil “está virando um paraíso para os empreendedores”, com juros baixos, o que também contrasta com a realidade.

A taxa básica de juros, a Selic, abriu 2021 a 2% ao ano, mas em outubro teve a sexta alta consecutiva.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a Selic de 6,25% para 7,75% ao ano, e as previsões do mercado indicam que a taxa possa superar os 10% em 2022, como parte da estratégia do BC para conter a alta da inflação.

Fonte: Revista FORUM

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