Mídia & Sociedade

As regras elementares da vida midiática

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A apresentação da vida cotidiana nos jornais, revistas, emissoras de rádios e TVs – deve ser pensada a partir das modulações narrativas que procuram reter ou fazer circular o discurso dos atores sociais.

O desafio dos leitores de jornais, revistas, telespectadores e ouvintes no cotidiano ante as Regras nada elementares da vida midiática é entender como as relações assimétricas, multiformes, violentas podem ser representadas nas mídias através dos códigos verbais e de estratégias argumentativas presas à ideia de uma razão dominante verticalizada pelas poderes políticos

Enquanto receptores midiáticos, podemos escolher alguns caminhos para entender como a construção da vida cotidiana através das mídias acaba se reduzindo a proposições argumentativas que distanciam os cidadãos dos níveis de interpretação das realidades, ou seja: o que é real na mídia se constrói através de simulações de referentes socioculturais idealizados.

Portanto, a vida midiática se estabelece como índice de classificações sociolinguísticas, o que exclui sujeitos de falas consideradas ‘menos competentes’ no funcionamento das performances capitalistas.

Neste sentido, poderíamos ensaiar o seguinte raciocínio: aquilo que parece representar a realidade dos fatos, através de imagens, palavras e traços gráficos, nada mais é do que a conversão simbólica de um modelo social determinado pelos donos da economia ou por atores políticos representantes dos sistemas de controle do imaginário das culturas populares.

Na linguagem midiática, a dominação se evidencia a partir das normas discursivas. Assim, há normas para dizer, ouvir e ver os fatos sociais.

Os discursos midiáticos constituem um mundo no qual a descontinuidade dos fatos é concebida em intervalos temporais programados para evitar qualquer capacidade do indivíduo conectar fatos históricos.

Na narrativa midiática, os fatos e eventos são enquadrados em um modelo funcional-argumentativo da linguagem.

Nessa narrativa, aparece a noção do mundo referencial, ou seja, mesmo que as ações sociais têm a veracidade legitimada apenas no aqui e agora.

As contradições das Regras elementares da vida midiática se evidenciam na pretensão de representar o cotidiano através de uma linguagem racional.

.Para que o cotidiano não caia nas armadilhas das Regras elementares da vida midiática podemos estabelecer procedimentos de leitura  -sobretudo em um trabalho educacional com crianças no ensino fundamental:

1) as regras elementares da vida midiática são regidas pelas proposições do mundo dos objetos, ou seja, é preciso demonstrar a materialidade dos atos, quer sejam traduzidos em leis ou modelos comportamentais; 2) a vida cotidiana está para a mimese, assim como a vida midiática está para a imitação. A primeira se renova a cada movimentos de seus atores, a segunda imita tipos idealizados sociologicamente; 3) a vida cotidiana não poder ser retratada pela vida midiática a partir de procedimentos sistêmicos, estruturais, que geram mais preconceito e violência cognitiva.

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Wellington Pereira

Professor Titular da Universidade Federal da Paraíba. Doutor em Sociologia pela Sorbonne - Paris V

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