argentina greve contra macriA gestão de Mauricio Macri enfrenta nesta quinta-feira (6) sua primeira greve geral, convocada pelos dois maiores sindicatos argentinos associados ainda aos professores da rede estatal – em greve em várias províncias, incluindo a de Buenos Aires.

A CGT (Confederação Geral do Trabalho) e a CTA (Central de Trabalhadores da Argentina) reivindicam medidas mais eficientes para baixar os 40% de inflação, além da fixação, pelo governo, dos aumentos salariais de acordo com esse patamar.

Pedem ainda que o governo apresente políticas que diminuam o desemprego (que aumentou dois pontos percentuais) e a pobreza, que saltou de 28% para 32% desde que Macri assumiu, em dezembro de 2015. As principais paralisações estão relacionadas ao transporte, uma vez que quem lidera o movimento é o grupo dos caminhoneiros, dos sindicalistas Hugo e Facundo Moyano, pai e filho.

Não funcionarão, a princípio, transporte público (metrô e ônibus), taxistas e aeroportos, o que afetará o pouso e a decolagem de aeronaves. Boa parte do comércio também fechará as portas em consequência da dificuldade de os funcionários chegarem.

CONTRAMANIFESTAÇÃO

A greve, porém, ocorre justo em um momento em que o governo se encontra fortalecido, após um maciço ato de apoio a Macri ocorrido no último sábado (1). Sem a participação de membros do governo, a manifestação foi convocada por meio de redes sociais e lotou as ruas do centro, culminando na Praça de Maio.

Apesar de ter perdido quatro pontos percentuais em seu nível de aprovação desde o início do ano, Macri tem hoje 53% de imagem positiva, segundo o instituto Isonomia. Embalado pela demonstração de apoio do último sábado, Macri disse, na segunda-feira (3), que agora “com mais convicção que nunca vou lutar para tirar poder de cada um desses mafiosos”.

“Eles saíram ganhando com o modelo anterior (kirchnerismo) e não se importam com o futuro das pessoas”, declarou, referindo-se aos líderes dos sindicatos como “mafiosos”. Para o analista político Marcos Novaro, a manifestação voluntária de apoio por parte da população “deu força e coragem ao governo”.

“Além disso, mostrou que Macri tem, sim, poder de convocação da população para as ruas. Esse era um ponto considerado fraco em seu perfil”, disse à Folha. O estudioso, porém, afirma que a leitura positiva da manifestação está sendo exagerada pelo mandatário.

“Ele fez brincadeiras que não cabem a um presidente, como dizer que quem foi ao ato de sábado não foi comprado por um ‘choripán’ [pão e chouriço, geralmente distribuído em atos dos peronistas]. Soou preconceituoso”, disse Novaro. “Creio que ele não pode exagerar nessa tomada de lados e precisa dialogar com esses grêmios.”

Para tentar acalmar os ânimos, o chefe de gabinete do presidente, Marcos Peña, poublicou uma mensagem nas redes sociais pedindo que os grêmios voltassem atrás na convocação. “Não achamos que a greve ajudará o país. Nós sempre vamos estar dispostos a sentar para dialogar”, escreveu.

TRÂNSITO CAÓTICO

Na tarde desta quarta-feira (5), as principais vias do centro da cidade já tinham muito trânsito. A avenida 9 de Julho teve o tráfego interrompido entre meio-dia e 15h por grupos de piqueteiros encapuzados que queimaram cobertores.

Quem chegava ao aeroporto de Ezeiza nesse momento sentia um clima de sexta-feira, com táxis sendo disputados por turistas e as vias de acesso ao aeroporto congestionadas. “É como se amanhã fosse sábado, está todo mundo correndo para resolver suas coisas hoje porque amanhã nada funciona”, contou à Folha o taxista Rubén Gomez.

Folha de São Paulo

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