“Falo à terra que me ensinou a falar”, disse Damião Ramos Cavalcanti em palestra promovida pela Sociedade Cultural Poeta Zé da Luz em 2014. Na primeira fila, Adilson Adalberto, Fábio Mozart, Das Dores Neta e Antonio Carlos Cariri.
O livro Diário da Casa Caiada, de Fábio Mozart, foi classificado em primeiro lugar no Edital Prêmio Literário José Lins do Rego – Edições Funesc 2026, no gênero crônica.
O escritor de Pilar, Mário Augusto Silva, foi o vencedor na categoria romance com o livro Zefa Cajá.
Ressaltando que o velho Fábio Mozart poderia ter concorrido dentro das vagas reservadas a pessoas com deficiência ou idosas, mas entrei na ampla concorrência.
Não é pra me gambar, mas os curadores do edital consideraram que meu livro de crônicas demonstra “domínio da linguagem, força expressiva e elaboração estética, além de boa coerência e estrutura narrativa”.
Também foram observados “precisão vocabular, fluidez, ritmo, estilo e adequação dos recursos linguísticos à proposta artística”.
O livro deverá ser editado em 2027. Para este ano, a Funesc vai entregar o meu livro de cordel Uma abordagem da História de Bananeiras na pancada do ganzá cordelístico. Será no dia 29 de outubro na Academia Paraibana de Letras.
Resumo: sou tricampeão neste prestigiado Prêmio Literário José Lins do Rego, da Fundação Espaço Cultural da Paraíba. Em 2022, a obra “Meu livro é um fracasso de vendas e outras crônicas” também foi escolhida.
Peço desculpas pela imodéstia, mas não resisti à tentação de compartilhar essa conquista.
Meu inimigo Maciel Caju deu na jugular: “o sujeito quer ser humilde, mas não abre mão de testemunhas do seu discutível sucesso”.
Há pessoas que conquistam um prêmio e guardam a notícia para si. São discretas, humildes, quase anônimas. Há outras que compartilham a conquista com os amigos. E há aquelas que, por excesso de modéstia, pedem desculpas antes de anunciar.
Não busco reconhecimento. No máximo, alguns leitores para meu livro.
Um desses leitores já tenho como certeza: meu amigo poeta Chicco Mello adora minhas crônicas. Dedico a ele o livro Diário da casa caiada. E a minha revisora de meio século de parceria literária, professora Jandira Lucena.
E gratidão à minha filha Etiene Mozart que cuidou da burocracia eletrônica.
A verdade é que todo sucesso pede aplausos, ainda que o premiado finja constrangimento. Afinal, a modéstia é uma virtude muito bonita. Aplausos, no entanto, são como perucas: falsos, mas fazem bem ao ego.
É oficial: estamos diante da geração mais burra de todos os tempos.
“O Brasil tem orgulho dos seus estupradores. De Brilhante Ustra ao vice de Flávio Bolsonaro”. – (Diana no Bluesky)
As pessoas estão se autodestruindo com o veneno do fascismo. E assim caminhamos para ser um Estado teocrático sombrio, medieval, cinzento, cafona, jeca, antiquado, conservador. Resumindo bem: um país de merda.” (Flávio Gomes no antigo Twitter)
“Notícia que TSE ia combater fake news era fake news” – (Sensacionalista)
“Centenas de milhōes de mensagens falsas do Zap atingiram a mente de dezenas de milhōes de pessoas, criando uma realidade virtual.”
“Esta infecção mental em massa por um “vírus de informação” sincronizou milhōes de cérebros. É este processo que ameaça destruir a democracia no mundo.” (Miguel Nicolelis)
Acabei de ver um documentário que todo jornalista deveria assistir. Nobody Speak, documentário da Netflix fala sobre liberdade de imprensa na Era Trump.
“Em um país onde a imprensa é dominada pelas elites não existe democracia” – (Do documentário Nobody Speak)
Sonho de Sonsinho: aninhar-se nos braços da Vênus de Milo.
Para os ignorantes: a Vênus de Milo, famosa escultura grega da deusa Afrodite, foi encontrada em 1820 na ilha de Milo, sem os dois braços.
“O liseu que habita em mim saúda a pindaíba que mora em você. Não mais ter.” – (Ameba, o sem toco)
Em 2015, publiquei nos Tijolinhos que o prefeito de Itabaiana estava procurando ruas para pavimentar. O gravurista Unhandeijara Lisboa comentou: “mestre Fábio Mozart, você é bom humorista. Um exemplo de formador de opinião com humor.”
Repliquei: “Grande mestre gravurista, eu não sou humorista. É que vivemos no país da piada pronta!”
Vamos contar piada, minha gente! Deixa essa conversa mole de política pra domingo.
O candidato chega na quitanda: “quero comprar todos os ovos estragados que você tem aí.” “O senhor por acaso vai pro comício de Flávio Bolsonaro?” “Não. Eu sou o próprio.”
Reflexões de Ameba: “Durante vinte maravilhosos anos, eu e minha mulher fomos as pessoas mais felizes do mundo. Depois, tudo mudou. Nós nos conhecemos e nos casamos…”
Uma moça pediu para ser minha amiga no Facebook. Na sua página, informa que “frequentou encino médio”. Deletei.
“Isto aqui é São José ou é Santo Antônio?” O santeiro, com ar professoral, explicou: “Olhe, minha senhora, o santo se estiver com o menino no braço direito é São José. Se estiver com o menino no braço esquerdo, é Santo Antônio. Agora, se o bicho tiver um par de chifres, um rabo e um espeto comprido na mão, não chegue nem perto, que isso aí é o satanás!”
“O poeta ganha a poesia de cada dia com o suor de sua alma”. – (Paulo Mendes Campos)
“Passarinho que anda com morcego acaba dormindo de cabeça pra baixo. E pinto que anda com pato acaba morrendo afogado.” – (Ditados antigos)
“Mais vale ser rabo de tubarão do que cabeça de sardinha”. – (Ameba, o estrategista)
“Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é tolo ou não conhece da arte”. – (Ameba, o espertalhão)
“Só trabalha quem não sabe fazer outra coisa” – (Ameba, o inútil)
Tijolinhos para o amigo Adilson Adalberto, em São Paulo, combatente pela cultura nas nossas guerrilhas em Itabaiana no começo deste século.
VERSO DO DIA
João Furiba:
Se você quiser ter sorte
Na sua mercearia
Coloque uma etiqueta
Em cada mercadoria
Se nela tiver meu nome
Vai conquistar freguesia.
Pinto do Monteiro:
Triste da mercadoria
Que nela tiver teu nome
Pode vir um guabiru
Com quinze dias de fome
Mija o pão, caga no queijo
Passa por cima e não come.