Urso Amigo no Beco Cultural em João Pessoa - Foto: Sérgio Ricardo/DIÁRIOPB
Urso Amigo no Beco Cultural em João Pessoa – Foto: Sérgio Ricardo/DIÁRIOPB

Poucas vezes ouvimos falar em esquecimento proposital de um determinado fazer ou costume que implicaria em reconstruções de preceitos bases na identidade cultural. Quando me reporto ao proposital, não falo da falta de incentivo do governo para alguns segmentos específicos e atípicos de manifestação genuínas da cultura, nem só daquelas que surgem como recentes arranjos comunitários, falo da participação das comunidades acadêmicas, da sociedade no geral, pelo reconhecimento e manutenção de fazeres culturais.

Falo da necessidade de intervir em algo arraigado na sociedade e construir novas diretrizes que gere a adequação do fazer ou costume. Não são e nunca serão atitudes fáceis de serem compreendidas de imediato pela sociedade, mas que precisam ser revistas e debatidas para que não existam excessos em relação a migração destes novos preceitos e que possam ser investidos novos recursos educativos para compreensão e prática destes novos entendimentos.

Atribuímos aos legisladores essa definição de trabalho aqui citado.  A grosso modo: a atualização das leis frente aos comportamentos sociais e seu desenvolvimento principalmente visando os impactos a longo prazo na sociedade. Mas nós não somos responsáveis também por essas atribuições?

Como exemplo trouxemos a cultura do sensacionalismo, tão conduzida por maior parte das mídias, essas que incorporam suas ações abusivas afim de fomentar a níveis altos a exposição desnecessária das intimidades, de explorar a criminalidade como produto, de fidelizar as massas ao poder das notícias e chamadas que tenham expressões trágicas e que gere a sensação de comoção ou de ódio massivo…

O que temos construído com a cultura da violência, gerada pelo sensacionalismo? Além de não representar força de mudança ou de solução efetiva para os problemas sociais e individuais, ainda promovem a criação de figuras heroicas da sociedade ou vilões que devem ser combatidos e/ou odiados.

Pratiquemos o descontinuamento do que não nos serve mais. E estejamos comprometidos com a informação, com a construção de novos caminhos. Perpetuemos o que trazemos de bom e multipliquemos o que deve ser continuado.

A valorização de nossos bens, perpassam pela escolha de ações que apresentem, relembre, apoiem, fortaleça a sociedade, eduque para, procure caminhos, apresente variados pontos, queira argumentos e ainda assim, não se permita vencer às respostas.

Não vamos chegar ao fim dessas formas eletivas de manter, modificar, valorizar ou extinguir algum fazer cultural. Mas precisamos fortalecer o trabalho de cidadania frente as responsabilidades e participações nestas decisões. Comecemos hoje, junto as ferramentas que nós detemos, no espaço que nos pertence.

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