Santa Rita, na região metropolitana de João Pessoa voltou a figurar como uma das 30 cidades mais violentas do país numa pesquisa que o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgaram na semana passada, com dados de 2015. O ranking traz a Bahia em péssima situação com nove municípios com altas taxas de homicídios. Ceará e Pernambuco aparecem também muito maus na fita, sendo Fortaleza quem lidera das capitais do Nordeste.

Em Santa Rita, a taxa de mortes violentas é de 74,1. O Brasil alcança a estatística de guerra de quase 60 mil homicídios por ano e os pesquisadores avaliam a taxa de homicídios mais o número de Mortes Violentas com Causa Indeterminada. O índice é medido com uma equação entre os assassinatos a cada 100 mil habitantes. Altamira, no Pará, foi a campeã, com uma taxa de 107.

O IPEA assegura que, quanto meno o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior o índice de violência nas localidades. Depois das 30 mais violentas, a Paraíba continua contribuindo com essa triste estatística, com a violência desenfreada nos maiores centros urbanos. Em 2005, o estado registrou 745 mortes desse tipo. Dez anos depois esse número pulou para 1.522, registrando aumento de 104,3%. Entre os 30 municípios mais pacíficos do Brasil, NENHUM está na região nordestina!

Negros e mulheres na mira

O estudo do IPEA revela também que a Paraíba é um dos estados mais violentos para quem é negro e/ou é mulher. Somos o sexto colocado no ranking de homicídios contra negros no Brasil, com uma taxa de 52,3. Para se ter uma ideia, a taxa de assassinatos de indivíduos não negros é de 6,1 na Paraíba. O assassinato de mulheres aqui também cresceu de maneira alarmante. Nas últimas duas semanas, a matança de mulheres voltou a assombrar a população paraibana.

Um trecho do relatório revela: “(…) A situação acima ocorre quando as transformações urbanas e sociais acontecem rapidamente e sem as devidas políticas públicas preventivas e de controle, não apenas no campo da segurança pública, mas também do ordenamento urbano e prevenção social, que envolve educação, assistência social, cultura e saúde, constituindo assim o quarto canal pelo qual o desempenho econômico pode afetar a taxa de

criminalidade nas cidades. Ou seja, a qualidade da política pública é um dos elementos cruciais que podem conduzir à diminuição das dinâmicas criminais”.

Oiteiro resiste

33 comunidades de áreas agrárias em conflito nas regiões do Agreste e da Mata se solidarizaram essa semana contra a tentativa de despejo das famílias posseiras da fazenda Oiteiro de Campina, em Rio Tinto. Uma ordem judicial poderia ser cumprida a qualquer momento, mas uma forte articulação integrada pelos mandatos do deputado federal Luiz Couto e do deputado estadual Frei Anastácio, conseguiu refrear o despejo das famílias que ocupam aquela área há quase um século. A Secretaria de Desenvolvimento Humano do Governo no Estado, sob o comando da secretária Aparecida Ramos, também entrou na

defesa dos agricultores. O procurador federal, José Godoy, do Ministério Público, também foi acionado na defesa dos posseiros.

A ação de despejo contra os agricultores foi impetrada pela Companhia de Tecidos Paulista, que também pertence à família Lundgren. A área do município antes se chamava “Engenho Preguiça”, por causa da existência de grande número de animais deste tipo, e ficava nos limites de Mamanguape, tendo sido comprada em 1917 por Frederico João Lundgren. Ele seria o responsável, anos depois, pelo início da construção da fábrica.

São gerações de oito famílias que residem em Oiteiro de Campina mesmo antes dele ser comprado pelo patriarca dos Lundgren. A propriedade toda é composta por 290 hectares, dos quais apenas 10,5, aproximadamente estão sendo cultivados pelos agricultores, que tiram da terra sua sobrevivência.

Comunidades na rádio

O programa Alô Comunidade, que vai ao ar todos os sábados na Rádio Tabajara AM, das 14 às 15 horas, está completando seis anos levando informação cidadã aos ouvintes paraibanos. Durante todo esse tempo o radiofônico, comandado por mim e pelo compadre Fábio Mozart, com apoio de Fabiana Veloso, Beto Palhano e Mabel Dias, conseguiu alcançar sua missão sem contar com qualquer apoio publicitário. Mas com as recentes mudanças na razão social da emissora, o programa vai precisar garantir sua sustentabilidade comercial. Empresas interessadas em apoiar nosso projeto poderão adquirir cotas do patrocínio do Alô Comunidade. Basta procurar o departamento comercial da emissora para saber os detalhes sobre valores e contratos publicitários. Os telefones de contatos são: 98708-2969, 99919-9990 (com Cesar Lira) ou 991128014 (com Dalmo Oliveira). A democratização da comunicação agradece!

ERRATA

A coluna passada teve a colaboração do amigo Fábio Mozart, mas apenas no trecho que começa com: “Cordel ao por do sol”.

Por Dalmo Oliveira

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