máscara cai de geddelOs primeiros atores gregos e romanos ao entrarem em cena utilizavam uma máscara sobre o rosto apresentando-se como um outro em outra realidade, a fictícia. Isso representava que ali não eram eles, in persona, quem estavam agindo, mas era um outro sob espécie de um atuante mimético, em outras palavras, o ator. Essa tal máscara, entre os romanos chamava-se persona, donde vem o termo moderno “pessoa”. Para termos uma pequena ideia do poder das palavras, basta dizer que esse termo, ao lado de outros, foi em grande parte o responsável pela divisão da Igreja em Católica e Ortodoxa, finalizada em 1054.

Então, quando caía a máscara, o ator artisticamente ficava a nu. E é isso que está acontecendo com a política central do Brasil, guardando as devidas proporções, formando este espúrio governo arranjado, a partir de um golpe político na presidência. E como diziam os antigos: “tudo que mal começado será mal terminado”. Pois bem, esse governo foi resultado de corrupção contra a democracia, montado juntando o rebotalho dos corruptos, salvo raríssima exceção (como veremos a seguir) e sobrevive mal das pernas atolado na corrupção (graças a Deus, sua ação corrupta está à mostra, qual o pus de um furúnculo rasgado que escorre sem meio de estacar).

Já é o sexto ministro que este governo perde, e único a sair de cena com dignidade foi o Senhor Marcelo Calero, ex-Ministro da Cultura, que preferiu renunciar ao cargo a ceder a pressões de um seu inescrupulosos colega de ministério, o pomposo senhor Geddel Vieira Lima, simplesmente Ministro da Secretaria de Governo, ou seja, o controlador da cozinha do usurpador Temer.

Veja você, leitor, que os governista após terem feito um cordão de isolamento protegendo o corrupto Geddel, agora está querendo ver como se tipifica a atitude do mesmo. Ora, se se abrir processo e punir o ex-ministro lambão, não se sabe se isso irá acontecer, pois estamos no Brasil, mas para qualificar sua deplorável atitude, não há dúvida, é criminosa, por ser corrupção. E a corrupção política caracteriza-se por utilização de cargo público para, de alguma forma, obter vantagens pessoais. No caso dele, é a velha e deletéria mania do tráfico de influência, herdada, como todas as mazelas do Brasil, da Península Ibérica. Então, se um ministro do governo pressiona um outro para intervir em ações, análises e conclusões de suas autarquias, para beneficiá-lo; e se isso não for crime claro de corrupção o que viria a ser?

Foi isso o que aconteceu: o rotundo senhor ministro Geddel, pressionou seu colega Marcelo Calero para este intervir e fazer levantar o embargo do edifício de alto luxo, o La vue Ladeira da Barra, em região nobre e tradicional de Salvador, plena de monumentos histórico, embargado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) por não se enquadrar dentro dos padrões mínimos das construções da área, já que este edifício teria trinta andares e os outros da região, nenhum ultrapassa os vinte, o que impediria a vista de vários monumentos arquitetônicos históricos. O motivo é que o corrupto tinha comprado um apartamento no empreendimento embargado, cujo preço dos apartamentos variava de 2.600, a 4 milhões e 500 mil, ele o queria liberado porque era proprietário de um dos. Nesse país, quem faz parte da corriola do governo está acima das leis, pode fazer o que quiser, isto é, pode ser criminoso sem ser punido. Depois que outras detalhes se revelaram, descobriu-se que muitos outros parentes de Geddel estão envolvidos com o empreendimento ou com a construtora. Por isso que ele estava tão incomodado com o embrago, de modo a dizer ao então ministro Calero: “Se for preciso eu pediria a cabeça da presidente do IPHAN e iria falar com o presidente Temer”. E próprio temer disse ao Ministro Calero para atender aos apelos de Geddel, pois o IPHAN estava criando problemas em suas secretarias, motivo: Geddel estava muito irritado por ter a obra embargada e o Ministro da Cultura não desobstruir o caminho.

Ao ver o então Ministro Marcelo Calero no programa do Jô Soares, em 05/07/2016, eu pensei comigo mesmo: ou esse é mais um fanfarrão em pele de grande ator, mesmo sem ser interprete, já que falar é dom de garganta, ou este jovem ministro é (ou busca ser) honesto. Pelo que agora se me afigura, tudo indica que é a segunda opção. Pois ninguém põe o cargo e o futuro em jogo para defender uma causa nobre, se não for verdadeiro. No programa, ele pareceu convincente, sim. E agora demonstra que ele, aos 34 anos, diplomata de carreira, ainda é e/ou está movido pelo ímpeto dos desejos de justiça da juventude e não conduzido pelo cinismo das velhas raposas políticas fisiológicas. A medir pelas palavras do próprio ministro Calero, ele parece ser um profissional exemplar daqueles que o Brasil sempre necessitou, por isso mesmo pediu demissão da súcia do usurpador Temer: “Estou fora da lógica desses caras, não sou político profissional. Não tenho rabo preso. Não estou aqui para fazer maracutaia. Nós precisamos ter a coragem de dizer: ‘Daqui eu não passo’. Vou voltar a ser um diplomata de carreira que passou em quinto lugar num concurso, estudando e trabalhando ao mesmo tempo. Se for para fazer errado, vou embora. Ele só me disse que tinha apartamento no prédio em 28 de outubro.” É sintomático ele dizer que não é “político profissional”, e por isso não aceita bandalheira. Resultado: Marcelo Calero renunciou no dia 18/11, e no dia 25/11, oito dias depois, com a verdade cada vez mais desvelada, Geddel não se sustentou e teve de renunciar também.

Depois Marcelo Calero narrou em depoimento à Polícia Federal que o próprio usurpador-mor, que se intitula presidente, o pressionou para que ele atendesse os interesses de Geddel, dizendo que “essas pressões fazem parte da política”, tal atitude do senhor Michel Temer parece não muito honesta, nem condizente para alguém que usurpou o posto da presidenta, dizendo ser para moralizar o Brasil e vale lembrar que o Geddel era do pelotão de frente nessa empreitada de golpear a combalida democracia brasileira. Para mim isso nunca foi supressa, eu conheço muito bem essa quadrilha que armou e executou o golpe. Essa gente é capaz de tudo que não presta. O chefe do poder central, então já foi flagrado dando ordens corruptas; gostaria agora de ouvir os anencefálicos que o apoiaram em sua empreitada de morder o calcanhar que quem o acolheu à mesa, onde ele agora pontifica; porque agora, a máscara que essa corja afivelava, a custo, à face caiu de vez.

 

 

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