BRASIL

Pesquisa Datafolha aponta que 57% dos moradores do Rio aprovam chacina

Levantamento por telefone revela que 39% desaprovam operação, com divisões por gênero, idade, classe social e histórico de voto no segundo turno de 2022

Uma pesquisa do Datafolha divulgada nesta sexta-feira (31) mostrou que 57% dos moradores do Rio de Janeiro e da região metropolitana consideram a operação policial mais letal da história do estado, realizada na última terça-feira (28), um sucesso. O levantamento, divulgado pela Folha de S.Paulo, foi feito por telefone com 626 eleitores entre quinta (30) e sexta-feira (31), com margem de erro de quatro pontos percentuais. Outros 39% desaprovam a açãoO dado foi comentado pelo governador Cláudio Castro (PL), que qualificou a operação como um avanço no combate à facção criminosa Comando Vermelho. A ação provocou intenso embate político entre forças de direita e o governo do presidente Lula (PT) sobre a condução da segurança pública no Rio e no país.

A pesquisa detalha que 38% dos entrevistados consideraram a operação bem-sucedida de forma integral, enquanto 18% aprovaram parcialmente. Entre os que desaprovaram, 27% discordaram totalmente e 12% apenas parcialmente. Outros 5% não souberam ou não responderam.

Os dados também mostram diferenças por gênero e faixa etária: 68% dos homens aprovaram a ação, contra 47% das mulheres. Jovens de 16 a 24 anos e membros da classe média com renda de 5 a 10 salários mínimos se mostraram mais críticos, com 59% e 49% de desaprovação, respectivamente. A margem de erro nesses subgrupos varia de 6 a 11 pontos percentuais.

Não houve diferenças expressivas entre regiões mais ricas e mais pobres da cidade, nem entre moradores de favelas, embora os confrontos mais intensos tenham ocorrido nas comunidades do Alemão e da Penha. Sobre a execução da operação, 48% avaliaram que foi bem conduzida, 21% apontaram falhas e 24% reprovaram.

Entre a população negra, 43% consideraram a operação mal executada, indicando maior discordância em relação à média geral, dentro de uma margem de erro de nove pontos.

A percepção sobre os mortos também foi investigada: 50% dos entrevistados acreditam que a maioria dos não policiais mortos eram criminosos, 31% acham que todos eram bandidos e apenas 4% indicaram que a minoria era inocente. O governo informou que 78 dos 119 suspeitos tinham antecedentes criminais.

O levantamento evidencia o impacto da polarização política. Entre eleitores de Lula no Rio, 67% desaprovaram a operação, enquanto 83% dos eleitores de Bolsonaro a consideraram bem-sucedida. No estado, Bolsonaro obteve 56,53% dos votos válidos no segundo turno de 2022, contra 43,47% de Lula.A pesquisa também abordou a frase histórica associada à direita: “bandido bom é bandido morto”. Houve divisão entre os fluminenses, com 51% concordando e 46% discordando. No entanto, 73% afirmaram que é errado dizer que sempre que alguém morre em operação policial se trata de um criminoso, e 77% defendem priorizar investigações de crimes em vez de ações que resultem em mortes, lembrando que apenas seis dos mortos tinham mandado de prisão vigente.

Com Brasil 247

Redação DiárioPB

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