O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou um estudo do Insper que aponta o elevado retorno econômico e social associado ao Pé-de-Meia, programa criado pelo governo federal para estimular estudantes de baixa renda a permanecerem no ensino médio. Segundo o levantamento, os benefícios econômicos relacionados à conclusão dessa etapa de ensino podem chegar a R$ 184,6 bilhões, cerca de 15 vezes o investimento de R$ 12 bilhões destinado à política.
Lançado pelo governo Lula em 2023, o Pé-de-Meia funciona como um incentivo financeiro-educacional voltado a estudantes em situação de vulnerabilidade. Considerando os diferentes pagamentos previstos pelo programa, cada aluno pode receber até R$ 9,2 mil ao longo dos três anos do ensino médio, desde que cumpra requisitos como frequência e conclusão das etapas escolares.
Retorno econômico pode chegar a R$ 184,6 bilhões
O estudo do Insper utilizou informações de 15,8 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, considerando dados do Cadastro Único de 2024, para estimar os ganhos associados à conclusão do ensino médio.
Os pesquisadores calcularam benefícios econômicos relacionados a aproximadamente 372 mil conclusões adicionais por ano associadas ao alcance da política entre jovens de baixa renda.
Entre os jovens de 15 a 19 anos, seriam cerca de 145,6 mil conclusões, correspondentes a um benefício estimado de R$ 78,2 bilhões. Na faixa entre 20 e 24 anos, as aproximadamente 226,1 mil conclusões representariam outros R$ 106,4 bilhões.
Somados, os efeitos chegam aos R$ 184,6 bilhões estimados pelo levantamento.
Lula destaca queda no abandono escolar
Ao comentar os resultados, Lula destacou também indicadores educacionais registrados após a implementação da política. Segundo o presidente, o abandono escolar caiu 61%, enquanto a taxa na rede pública chegou a 2,5%, o menor nível da série histórica. O atraso escolar também apresentou redução de 28%.
O Pé-de-Meia foi concebido justamente para enfrentar uma das principais causas da evasão: a necessidade de adolescentes de famílias pobres abandonarem os estudos para trabalhar e complementar a renda doméstica.
De acordo com Lula, aproximadamente 500 mil estudantes vulneráveis deixam o ensino médio a cada ano, muitas vezes pressionados pelas dificuldades econômicas de suas famílias. A consequência ultrapassa o período escolar, uma vez que abandonar os estudos reduz as possibilidades futuras de acesso a empregos mais qualificados e melhores salários.
Educação como investimento econômico
Os resultados reforçam a ideia de que políticas destinadas à permanência dos jovens na escola não representam apenas uma despesa social, mas podem produzir retorno econômico expressivo no longo prazo.
A conclusão do ensino médio tende a ampliar a produtividade e a renda futura dos trabalhadores, além de gerar efeitos positivos sobre arrecadação, empregabilidade e desenvolvimento social. É justamente a dimensão desses ganhos que o levantamento do Insper procura quantificar.
Para o governo Lula, os números fortalecem a estratégia de combinar transferência de renda e educação. Ao oferecer uma reserva financeira vinculada à permanência e à conclusão dos estudos, o Pé-de-Meia busca atacar diretamente o custo econômico que leva milhares de adolescentes a abandonar a escola.
Os resultados apresentados pelo estudo indicam que o benefício pode ultrapassar amplamente os recursos públicos empregados: para cada real considerado no investimento de R$ 12 bilhões, o impacto econômico estimado é de aproximadamente R$ 15.
DiárioPB com Brasil 247