O governo federal realizou 1.391 operações de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Ianomâmi, em Roraima, entre julho e outubro de 2026, retirando de circulação dez aeronaves e inutilizando 15 pistas clandestinas. As ações também atingiram 67 acampamentos, 14 balsas e 15 embarcações utilizadas na exploração mineral, além de provocar um prejuízo estimado de R$ 67 milhões às atividades criminosas. O balanço integra a estratégia de enfrentamento ao garimpo na região, que, segundo dados oficiais, registra redução de 99% na atividade ilegal desde o início das operações.
As informações constam de levantamento divulgado pelo governo federal, por meio da Casa de Governo, estrutura vinculada à Casa Civil da Presidência da República que coordena as operações na região. Das dez aeronaves retiradas de circulação no período, as equipes inutilizaram seis e apreenderam outras quatro. Os agentes também destruíram equipamentos, combustíveis e estruturas de abastecimento que sustentavam a presença de garimpeiros dentro e no entorno do território indígena.
O balanço aponta ainda a inutilização de aproximadamente 8,8 toneladas de cassiterita e 12 mil litros de diesel. As forças de segurança apreenderam 92,8 quilos de mercúrio, substância utilizada na extração de ouro, além de 5.050 litros de gasolina.
As operações mobilizaram agentes da Força Nacional, das Forças Armadas, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e de outros órgãos federais.
A estratégia concentrou esforços na destruição da infraestrutura que permite o funcionamento do garimpo, especialmente o transporte aéreo, as rotas fluviais e os pontos de armazenamento de combustíveis e equipamentos.
Governo federal intensificou combate ao garimpo em julho
As operações de julho alcançaram diferentes regiões da Terra Indígena Terra Ianomâmi, com foco nas estruturas utilizadas pelos garimpeiros para transportar equipamentos, alimentos e combustíveis.
Em 7 de julho, agentes da Força Nacional e da Funai chegaram à região do garimpo João Doido, no rio Uraricoera. Com apoio de equipes terrestres, fluviais e aéreas, os profissionais localizaram acampamentos, cozinhas improvisadas, ferramentas e equipamentos utilizados na atividade ilegal.
Dois dias depois, militares do Comando Conjunto Catrimani II encontraram um avião Cessna 182 escondido sob a vegetação na chamada Pista do Hélio, no Alto Catrimani. A aeronave passava por manutenção quando os agentes a localizaram e inutilizaram.
As forças de segurança também realizaram a Operação Aruanã, entre 24 de junho e 12 de julho, com participação de Fuzileiros Navais e utilização da lancha de combate que deu nome à ação.
Os militares patrulharam os rios Branco, Uraricoera e Uraricaá, além do Furo Santa Rosa e da região do Garimpo da Morena. Os bloqueios buscaram interromper o deslocamento de garimpeiros e o transporte de materiais.
Em 19 de julho, outra operação alcançou áreas de extração mineral no rio Apiaú. Agentes da Funai, da Força Nacional e da Casa de Governo inutilizaram motores, bombas, mangueiras e caixas utilizadas na separação de minério.
Entre os dias 19 e 25, as equipes também inutilizaram duas balsas e uma aeronave, apreenderam 1.590 litros de combustível de aviação e destruíram outros 300 litros.
Fora do território indígena, os agentes fiscalizaram propriedades rurais e estruturas de apoio aéreo. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) participou de ações para identificar o transporte de combustíveis e insumos destinados ao garimpo.
Agosto teve apreensão de aeronaves e combustível em Roraima
Em agosto, o governo federal ampliou as fiscalizações em municípios próximos à Terra Indígena Terra Ianomâmi, especialmente em Mucajaí, onde equipes identificaram estruturas utilizadas para abastecer aeronaves.
Durante uma operação em uma estrada vicinal, agentes da Força Nacional localizaram um avião Cessna 182F. Pessoas que preparavam o abastecimento da aeronave fugiram após perceberem a aproximação dos policiais.
A Casa de Governo acionou o Ibama, que inutilizou o avião e os materiais encontrados no local. Os agentes identificaram aproximadamente 600 litros de combustível de aviação, uma antena Starlink Mini, equipamentos de GPS, rádios e outros dispositivos.
Outra fiscalização na região de Apiaú encontrou 69 recipientes com 2.600 litros de diesel, 550 litros de gasolina e 300 litros de querosene de aviação.
As equipes também localizaram peças de aeronaves, ferramentas, equipamentos de comunicação e aproximadamente 500 quilos de alimentos. As operações se estenderam às áreas rurais de Samaúma e Campos Novos, utilizadas como pontos de apoio logístico.
Entre 9 e 15 de agosto, os agentes inutilizaram três pistas clandestinas dentro da terra indígena, além de acampamentos, motores e geradores.
Na semana seguinte, as forças de segurança destruíram quatro acampamentos, uma balsa e 430 litros de diesel. Também apreenderam equipamentos eletrônicos, uma arma e munições.
O Exército Brasileiro participou, entre 16 e 28 de agosto, da Operação Flecha Noturna VI, coordenada pelo Comando Conjunto Catrimani II. Militares de operações especiais atuaram nas regiões do Garimpo do Juvenal, Baixo Catrimani, Parima, Ouromil, Pé Quebrado e Pista Cascalho Novo.
Setembro concentrou ações contra pistas clandestinas
O governo federal direcionou parte das operações de setembro à interrupção do transporte aéreo utilizado pelos garimpeiros para entrar no território indígena e abastecer áreas de extração mineral.
Entre 20 e 27 de setembro, a Casa de Governo e o Comando Conjunto Catrimani II realizaram a Operação Pouso Zero. As equipes ocuparam nove pistas clandestinas para impedir a circulação de aeronaves, trabalhadores, combustível e equipamentos.
Na primeira quinzena do mês, entre 6 e 12 de setembro, os agentes inutilizaram três acampamentos, 11 motores, quatro geradores, uma balsa, três embarcações, 1.360 litros de diesel e uma pista de pouso. As forças de segurança também apreenderam quatro armas e 26 munições durante essas ações.
Em 3 de setembro, a Polícia Rodoviária Federal interceptou aproximadamente 34,5 quilos de mercúrio em Boa Vista. Segundo o levantamento, o material vinha de Lethem, na Guiana, e tinha relação com o abastecimento da mineração ilegal. Os policiais prenderam o motorista em flagrante.
Na última semana de setembro, os agentes inutilizaram sete toneladas de cassiterita, 18 motores, uma balsa, uma embarcação, uma aeronave e uma pista clandestina.
As fiscalizações também chegaram a oficinas e instalações de manutenção de aviões em Boa Vista, onde os órgãos federais identificaram estruturas associadas à logística aérea do garimpo.
Outubro teve novas apreensões de mercúrio e aviões
As operações de outubro mantiveram o foco no abastecimento dos garimpos e na retirada de aeronaves utilizadas para transportar pessoas e materiais. Entre os dias 4 e 10, as forças de segurança apreenderam 3.500 litros de gasolina e inutilizaram 1.150 litros de diesel, dois acampamentos e nove motores. Os agentes também recolheram armas, munições e 500 gramas de mercúrio.
Na semana seguinte, entre 11 e 17 de outubro, as equipes apreenderam uma aeronave, 2.200 litros de combustível de aviação e 58 quilos de mercúrio. No mesmo intervalo, os órgãos federais inutilizaram dois acampamentos, 13 motores, uma balsa, duas embarcações e uma pista de pouso clandestina.
As operações alcançaram ainda oficinas utilizadas para manutenção de aviões em Boa Vista. Entre 15 de setembro e 14 de outubro, as equipes localizaram e apreenderam três aeronaves Cessna 182 nessas instalações.
O Comando Conjunto Catrimani II também realizou a Operação Flecha Noturna VII, com participação de militares de operações especiais do Exército Brasileiro. Os agentes atuaram em 15 regiões, incluindo Aracaçá, Uraricoera, João Doido, Noronha, Íris, Onkiola, Uraricaá e áreas próximas ao município de Mucajaí.
Entre 18 e 24 de outubro, as equipes inutilizaram outras duas aeronaves, 3.030 litros de combustível de aviação, 1.200 litros de diesel, três balsas, duas embarcações e quatro acampamentos.
Os agentes também apreenderam mil litros de gasolina e realizaram 51 fiscalizações de aeronaves e 14 inspeções em pistas de pouso. Uma dessas estruturas acabou inutilizada.
Na última semana do mês, entre 25 e 31 de outubro, as operações resultaram na destruição de uma balsa, duas embarcações e nove motores. As equipes recolheram ainda 950 litros de gasolina e 80 quilos de cassiterita.
Combate ao garimpo ilegal acumula R$ 815 milhões em prejuízos
O balanço do governo federal aponta uma redução de 99% na atividade garimpeira ilegal na Terra Indígena Ianomâmi. Segundo os dados oficiais, as operações mantiveram esse patamar de redução com a continuidade das ações de fiscalização e repressão.
Entre março de 2024 e outubro de 2026, as forças federais realizaram 12.296 ações contra o garimpo no território indígena e nas regiões utilizadas para apoiar a extração mineral.
Nesse intervalo, os agentes apreenderam ou inutilizaram 66 aeronaves, destruíram 109 pistas de pouso clandestinas e desmobilizaram 992 acampamentos.
O governo federal calcula que as operações provocaram um prejuízo acumulado de R$ 815 milhões às atividades ilegais, considerando a destruição de equipamentos, estruturas de transporte, combustíveis e outros materiais empregados na exploração mineral.
A atuação conjunta dos órgãos federais busca impedir a retomada das atividades de garimpo, interrompendo o abastecimento das áreas de extração e a circulação de aeronaves e embarcações que sustentam a exploração ilegal na Terra Indígena Ianomâmi.
Com Brasil 247