ENTRETENIMENTO

Na prisão, mulher vence concurso de poesia promovido pela Defensoria Pública

Liberdade…/ Quando perdida/ Difícil ser recuperada/ Mesmo parecendo tão distante/ És profundamente esperada”. O sentimento que Larissa Rodrigues transformou em poesia deu a ela o primeiro lugar no concurso “Transformando o silêncio das grades em linguagem”, promovido pela Defensoria Pública do Estado (DPE-PB) com mulheres encarceradas. O concurso contou com o apoio da Escola Superior da Defensoria Pública (ESDPB), da Associação Paraibana de Defensores Públicos (APDP) e da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap).

O resultado foi anunciado na última quarta-feira (21), em solenidade virtual conduzida pela Gerência Executiva de Execução Penal e Acompanhamento de Penas Alternativas (Geepapa) da DPE, responsável pela coordenação do concurso. Membros da Defensoria, diretoras das penitenciárias femininas e algumas das mulheres inscritas no concurso participaram da solenidade por videoconferência.

O concurso de poesia é fruto da iniciativa das defensoras públicas da Coordenadoria de Defesa da Mulher da DPE, Raissa Palitot e Monaliza Montinegro, como parte da programação dedicada ao Mês da Mulher. Além da poesia vencedora “Versos de uma Liberdade”, outras cinco concorrentes receberam menções honrosas pelos seus trabalhos.

MENÇÃO HONROSA – O segundo e o terceiro lugar do concurso ficaram com Marília de Carvalho, com a poesia “Mão Vazias”, e Eliza Carolina Diniz da Silva (poesia sem nome), respectivamente. As três melhores colocadas são da Penitenciária Feminina Maria Júlia Maranhão, em João Pessoa.

Além de premiar a poesia ganhadora, a comissão julgadora concedeu Menção Honrosa as autoras das outras cinco poesias mais bem colocadas.  As demais são Katiane Amorim, da Penitenciária Feminina de Campina Grande, com “Ao entrar no Cárcere”; a dupla Joyce Josefa Sales Galvão e Jéssica Medeiros da Silva, de Patos; e o grupo de Cajazeiras formado por Maria Aritânia, Vitória de Souza, Rosália Cristina, Valquíria Benvinda e Eridam Santana. As duas últimas sem título.

PREMIAÇÃO – A primeira colocada ganhará um almoço com direito a acompanhante fornecido via delivery pelo restaurante Santa Grelha, além de um kit de perfumaria. Todas as participantes agraciadas com Menção Honrosa ganharão kits de perfumaria. Os brindes foram cedidos pela Escola Superior da DPE e pela APDP.


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TEMA – Na solenidade, a coordenadora de Defesa da Mulher, Raíssa Palitot, explicou o porquê do tema “Transformando o silêncio das grades em linguagem”: “As pessoas que estão encarceradas são completamente invisibilizadas pelo Estado e pela sociedade civil e umas das nossas intenções foi desinvibilizar e humanizar essas mulheres. Então nos inspiramos no livro de Audre Lorde (Irmã Outsider), que fala que transformar o silêncio em linguagem e em ação pode parecer um ato de medo e de perigo. O que essas mulheres fizeram – escrever poesias, externalizar o pensamento e as esperanças, falar sobre mulheres – é um ato de coragem e eu parabenizo cada participante por isso”, justificou.

RESSOCIALIZAÇÃO  – A gerente da Geepapa, Waldelita Cunha, ressaltou a importância do concurso para elevar a autoestima das mulheres. Ela agradeceu o empenho de todos os envolvidos, da Defensoria  e das penitenciárias, para viabilizar a participação de todas as mulheres privadas de liberdade que manifestaram interesse em participar. “A mulher presa perde alguns direitos, mas não deixa de ser mulher e de ser pessoa. Por isso devemos valorizá-la e levantar sua autoestima, pois isso influencia diretamente na ressocialização e na reinserção social”, disse.

LIVRO DE POESIA – A subcoordenadora de Defesa da Mulher, Monaliza Montinegro, aproveitou a ocasião para anunciar que, em breve, a Escola Superior abrirá um edital para a publicação de um livro de poesias com a mesma temática, com a possibilidade de trabalhar oficinas virtuais com as reeducandas. “O projeto tem uma pretensão maior, que vai além de descobrir novos talentos e estimular a arte, que é estabelecer um alicerce para criação de uma linguagem – uma linguagem de liberdade”, disse a defensora, que também é diretora de Ensino da ESDPB.

PRESENÇAS – Da DPE, também participaram da solenidade o defensor público-geral da Paraíba, Ricardo Barros; a subdefensora pública-geral, Madalena Abrantes; as defensora pública Iara Bonazzoli e Naiara Dela Bianca (jurada); e  a chefe de gabinete Elluênia Lucena.

As diretoras das penitenciárias femininas do Estado representaram a Seap na ocasião: Anaíris Almeida (Campina Grande), Alessandra Malaquias (Patos) e Paloma Correia (Cajazeiras). A diretora da Penitenciária Julia Maranhão (João Pessoa), Cínthya Almeida, foi representada por Hosana. Também participaram da solenidade a defensora pública do estado de Roraima, Jeane Magalhães Xaud, e a advogada e mestranda em Direitos Humanos, Gregória Benário – ambas juradas do concurso.

Assessoria

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