Emmanuel MacronO presidente eleito da França, Emmanuel Macron, assume o cargo neste domingo (14) em uma cerimônia no Palácio do Eliseu. A posse começou pontualmente às 10h (5h no horário de Brasília) e segue um protocolo rigoroso. Na eleição do último dia 7, o centrista recebeu 65,1% dos votos, contra 34,9% de sua rival, a ultra-direitista Marine Le Pen.

Emmanuel Macron chegou ao tapete vermelho do palácio e foi recebido por François Hollande que o esperava na varanda com um sorriso. O eleito caminhou lentamente ao encontro do presidente que deixa o cargo. Os dois trocaram um aperto de mãos e se voltaram aos fotógrafos.

Segundo fontes próximas ao novo presidente ouvidas pela agência Reuters, a nomeação do próximo primeiro-ministro deve ser anunciada na segunda-feira (15) com início dos trabalhos de governo no dia seguinte.

A curiosidade desta vez foi que Emmanuel Macron chegou sozinho, sem a mulher, Brigitte. O detalhe parece insignificante, mas não é. Tradicionalmente, os presidentes franceses casados chegam de carro acompanhados de suas esposas. Macron mantém ainda uma relação fusional com a mulher e ela trabalhou ativamente na campanha. O centrista quer, inclusive, que a futura primeira-dama exerça um papel destacado durante o mandato.

A razão dessa escolha do cerimonial foi que o socialista François Hollande não tem companheira oficial morando com ele no Eliseu. Ele namora a atriz Julie Gayet, mas ela nunca assumiu responsabilidades oficiais. Para não chamar a atenção sobre um presidente solitário – e impopular – que deixa o palácio, eles vão aparecer sozinhos nas imagens externas. A futura primeira-dama irá esperar por Macron no Salão de Festas do Eliseu.

Senha da arma nuclear

Como acontece nos Estados Unidos, um momento alto da transmissão de cargo na França é a comunicação da senha de lançamento da bomba nuclear. Logo depois de chegar ao Eliseu, Hollande e Macron vão ter uma reunião a sós no gabinete presidencial de cerca de 40 minutos. É um momento considerado solene. Eles trocam informações sobre alguns segredos de Estado, o presidente em fim de mandato faz algumas recomendações que considera importantes, e, em seguida, leva o eleito para visitar o Posto de Comando Júpiter, uma espécie de bunker na ala leste do palácio capaz de resistir a um ataque nuclear.

Esse posto de comando, onde o presidente pode se refugiar ao lado de assessores de defesa, foi reformado recentemente, em 2015. São várias salas protegidas por um sistema de comunicações que permite contato com o exterior, mas seria à prova de interceptações externas.

Condecoração substitui faixa

Diferentemente do Brasil, o presidente francês não faz um juramento à nação. O ato da posse é oficializado pela proclamação do número de votos recebidos pelo eleito, o que é feito pelo presidente do Conselho Constitucional, no caso Laurent Fabius. Encerrada a leitura, Fabius irá condecorar Macron com um imponente colar de ouro de Grão Mestre da Legião de Honra. O centrista de 39 anos será, então, declarado presidente da República em plenos poderes no cargo. Macron fará, na sequência, o esperado discurso de posse, no qual deve pontuar as diretrizes de seu governo.

As cerimônias continuarão com uma saudação à Guarda Republicana, 21 tiros de canhão disparados na esplanada dos Inválidos, um desfile de carro pela avenida do Champs Elysées até o Arco do Triunfo e um almoço para um seleto grupo de convidados.

Paris 2024

À tarde, Macron se reunirá com uma delegação do Comitê Olímpico Internacional, que estará em Paris a partir de domingo para uma visita de três dias, visando a atribuição da cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2024. A capital francesa concorre com Los Angeles, nos Estados Unidos.

O novo presidente francês também fará um discurso, no final da tarde, na sede da prefeitura de Paris, com transmissão nos telões instalados na esplanada do governo municipal.

Visita a Merkel

A primeira viagem internacional de Macron como presidente deve ser para Berlim um dia após a posse para um encontro com a chanceler Angela Merkel. O fortalecimento da União Europeia e da zona do euro devem ser temas principais. A Alemanha como primeiro destino oficial é uma tradição entre novos presidentes franceses.

A reunião foi confirmada na sexta-feira pelo porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert.”A chanceler alegra-se por receber no fim da tarde de segunda-feira, na chancelaria, o novo presidente francês, Emmanuel Macron”, afirmou o funcionário em pronunciamento à imprensa.

Também podem entrar na pauta de segunda-feira novas formas de fortalecer a zona do euro, incluindo a criação de um parlamento para os países que adotam a moeda. O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já expressou apoio à ideia, sugerida por Macron.

G1

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