José Guimarães (PT-CE) assume nesta terça-feira (14) a Secretaria de Relações Institucionais com a missão de fortalecer a articulação política do governo Lula (PT) e ampliar o diálogo com o centrão, em meio à necessidade de reorganizar as forças dentro do Palácio do Planalto, segundo a Folha de São Paulo.A escolha do deputado federal, que está em seu quinto mandato, sinaliza uma mudança na estratégia política do governo, priorizando um perfil mais conciliador na interlocução com o Congresso. Guimarães substitui a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) e chega ao cargo com respaldo de lideranças parlamentares e proximidade com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A avaliação entre integrantes do centrão é de que o novo ministro possui bom trânsito no Legislativo e histórico de cumprimento de acordos, o que pode facilitar negociações. Parlamentares destacam que Guimarães tende a atuar de forma mais previsível, evitando mudanças bruscas nas articulações políticas.
Internamente, a chegada de Guimarães também reposiciona o equilíbrio ideológico dentro do governo. Ele deve representar uma linha mais moderada em relação ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), cuja atuação é vista como mais combativa e alinhada à esquerda. Com a saída de Rui Costa (PT) da Casa Civil para disputar o Senado, e a substituição de Gleisi Hoffmann, Boulos havia ganhado mais espaço no núcleo político do Planalto.
Aliados do governo apontam que decisões recentes com participação de Boulos geraram atritos com o Congresso. Entre elas, a posição contrária à versão final do projeto de regulamentação dos aplicativos e o envio com urgência constitucional da proposta para o fim da escala de trabalho 6×1. Ambas as iniciativas enfrentaram resistência de parlamentares.
No caso da jornada 6×1, o presidente da Câmara optou por conduzir o tema por meio de uma proposta de emenda à Constituição, o que tende a prolongar a tramitação. Já o projeto sobre aplicativos passou por mudanças no Congresso que levaram o governo a recuar do apoio inicial, diante do risco de desgaste político.
Antes mesmo de assumir formalmente o cargo, Guimarães atuou para retirar da pauta a votação da proposta sobre aplicativos em comissão especial, evitando um possível embate entre o governo e o Legislativo.
Outro desafio imediato do novo ministro será reconstruir a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), considerada estratégica para votações importantes, como a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A interlocução com o Senado enfrenta dificuldades desde o rompimento entre Alcolumbre e o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA).
A nomeação de Guimarães faz parte de uma reconfiguração mais ampla na estratégia política do presidente Lula. Em um primeiro momento do mandato, o governo havia priorizado nomes com perfil mais rígido na articulação. Agora, a aposta recai sobre um modelo que combine diálogo e previsibilidade nas negociações com o Congresso, ao mesmo tempo em que mantém vozes mais firmes no debate político, como o novo líder do governo na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
Com Brasil 247
Curta e inscreva-se no canal do DiárioPB no YouTube. Seu apoio fortalece o jornalismo independente! Clique aqui para acessar o canal
