greve geralUma greve geral paralisou o sistema de transporte da Argentina nesta quinta-feira (6). Trens, metrôs e ônibus não circulavam nesta manhã, e piquetes foram registrados em estradas e ruas de Buenos Aires, segundo o jornal “La Nacion”. A paralisação é contra a política econômica do governo e é a primeira enfrentada por Mauricio Macri desde que assumiu a Presidência há 16 meses.

Forças de segurança da Argentina dispersaram grevistas que desde o início desta manhã bloqueavam os acessos a Buenos Aires pela rodovia Pan-americana. No confronto com manifestantes, houve dezenas de detenções, segundo a agência EFE. Autoridades informaram que há agentes feridos.

Piquetes também bloquearam estrada Buenos Aires-La Plata, que liga a capital federal à capital da província. Além disso, várias vias principais da capital, como a Avenida Corrientes, foram fechadas por organizações sociais e grupos de esquerda.

Voos afetados no Brasil

A companhia aérea Aerolíneas Argentinas cancelou seus voos nacionais e internacionais, que sairiam dos aeroportos de Ezeiza e Aeroparque, por conta da greve, que foi aderida pela Associação do Pessoal Técnico Aeronáutico (APTA) e a Associação do Pessoal Aeronáutico (APA).

Os voos da Aerolíneas que chegam e partem do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Porto Alegre na manhã desta quinta estão sofrendo o impacto da greve na Argentina.

No Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), ao menos 24 voos foram cancelados. Oito chegadas e seis partidas da companhia Latam que ocorreriam ao longo do dia para Buenos Aires foram canceladas, bem como cinco chegadas e cinco partidas da companhia Aerolíneas. As empresas oferecem reembolso ou troca de passagem sem custos extras.

No aeroporto Tom Jobim, no Rio, cinco voos da Aerolíneas Argentinas e um da Gol haviam sido cancelados, entre chegadas e partidas, até as 8h40 desta quinta.

Em nota, a Gol informou que, por causa da greve, voos foram previamente cancelados. Os clientes foram reacomodados em outros voos regulares da companhia, ou ainda em um dos oito voos extras criado para atendê-los, fora do período da greve. A remarcação das passagens também não tem custo adicional.

Tráfego

O tráfego de veículos começou a diminuir a partir da meia-noite (hora local), na Grande Buenos Aires, com relação aos dias normais de trabalho. Praticamente somente os táxis estão circulando pelas ruas da capital argentina. A greve geral foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT).

Para incentivar os trabalhadores a comparecerem a seus postos de trabalho em seus próprios veículos, o governo de Buenos Aires decretou a gratuidade dos pedágios das estradas e dos estacionamentos públicos durante o dia de greve, de acordo com a France Presse.

O tráfego de caminhões que circulam à noite pelas avenidas Huergo e Madeiro, que ligam os principais setores portuários de Buenos Aires, também caiu. Há previsão de bloqueios nas rodovias Buenos Aires-La Plata, Panamericana e 197, acesso Oeste (na altura Hospital Posadas), Camino Negro, Constituyentes e General Paz, de acordo com informações da agência Télam.

A greve deve paralisar também bancos e escolas. A paralisação de 24 horas coincide com a celebração, em Buenos Aires, do primeiro Fórum Econômico Mundial dedicado à América Latina (WEF AmLat), que reúne políticos, banqueiros e empresários no bairro de Puerto Madero, sob severas medidas de segurança. Manifestantes ameaçam fazer protestos diante do hotel onde é realizado o fórum.

Crise econômica

A Argentina, cuja economia recuou 2,3% no primeiro ano do governo Macri, experimentou em janeiro uma leve recuperação, mas a pobreza já atinge 32,9% da população e a produção industrial segue há 13 meses em queda.

A inflação, que segundo analistas chegou a 40% em 2016, evaporou o poder aquisitivo, e o consumo interno segue caindo há 13 meses.

Estimativas situam a inflação para 2017 em 21%, enquanto o governo insiste que será de 17% e busca impor seu índice aos reajustes salariais, enquanto os sindicatos exigem uma recomposição em negociações livres com as empresas.

‘Dimensão política’

O ministro do Sistema Federal de Meios Públicos, Hernán Lombardi, disse em entrevista para a emissora “TN”, uma hora após a greve começar, que o ato tem uma “dimensão política” patrocinada pela oposição, pois eles vislumbram uma melhora na situação socioeconômica do país.

Lombardi denunciou a existência de “lideranças ocultas” que estão planejando uma “interrupção abrupta” do governo de Mauricio Macri.

“Acredito que as paralisações são uma antiga ferramenta, agora com um governo aberto ao diálogo”, disse a vice-presidente, Gabriela Michetti, ao canal de notícias “TN”, minutos após o início da greve. “É uma medida extrema que custa bilhões de dólares ao país”, afirmou.

G1

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