DESTAQUES

Governo prevê R$ 6 bilhões para reforçar caixa dos Correios em 2027

Capitalização poderá ser dividida entre 2026 e 2027; Bruno Moretti afirma que obrigação é contratual e destaca redução de R$ 100 bilhões nas despesas obrigatórias

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá incluir um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios na proposta do Orçamento de 2027, como parte do processo de reorganização financeira da estatal. A informação foi dada pelo ministro da Secretaria de Análise Governamental da Casa Civil, Bruno Moretti, segundo o Valor Econômico.

A previsão, de acordo com Moretti, é que o valor integral da capitalização esteja contemplado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. O governo avalia, entretanto, a possibilidade de antecipar uma parcela dos recursos ainda para 2026.

Nesse cenário, a capitalização seria realizada em duas etapas, com uma parte neste ano e o restante no próximo.

Aporte é obrigação contratual, afirma Moretti

Moretti destacou que a injeção de recursos nos Correios não constitui uma despesa criada arbitrariamente pelo governo, mas decorre de uma obrigação prevista contratualmente e respaldada por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

A previsão dos recursos no Orçamento busca assegurar que o governo disponha das condições necessárias para cumprir esse compromisso enquanto conduz a reorganização da empresa.

O presidente Lula já descartou a privatização dos Correios e defendeu a modernização da estatal, inclusive com a possibilidade de estabelecer parcerias para adequá-la às transformações do mercado de logística e encomendas.

Despesas discricionárias devem crescer 20%

Segundo Moretti, a proposta orçamentária para 2027 também deverá apresentar uma expansão de aproximadamente 20% das despesas discricionárias, aquelas sobre as quais o governo possui maior capacidade de decisão na execução do Orçamento.

Para o ministro, uma base discricionária maior aumenta a credibilidade da peça orçamentária, pois oferece ao governo margem suficiente para atender compromissos e executar políticas públicas sem comprometer as metas estabelecidas.

É nesse espaço fiscal que o governo terá condições de acomodar despesas como a capitalização dos Correios.

Governo aponta redução de R$ 100 bilhões nas despesas obrigatórias

A ampliação da margem discricionária foi relacionada por Moretti às medidas de ajuste fiscal adotadas pelo governo e aprovadas pelo Congresso.

Segundo o ministro, as medidas implementadas desde 2024 deverão proporcionar uma redução de aproximadamente R$ 100 bilhões nas despesas obrigatórias.

A contenção dessas despesas abre espaço dentro do Orçamento para investimentos, custeio da máquina pública e outras ações governamentais, além de facilitar o cumprimento de obrigações extraordinárias.

O dado também é utilizado pelo governo para sustentar que a administração Lula vem promovendo um ajuste das contas públicas sem abandonar investimentos e políticas sociais.

Governo busca recuperar Correios sem privatização

A capitalização ocorre em meio ao esforço para reequilibrar financeiramente os Correios e adaptar a empresa às mudanças estruturais no setor.

O crescimento do comércio eletrônico transformou profundamente o mercado de entregas, ampliando a concorrência de operadores privados e exigindo investimentos em tecnologia, logística e eficiência operacional.

Lula afirmou que a solução para os problemas financeiros da companhia não será sua venda. A orientação é recuperar e modernizar a estatal, preservando seu papel estratégico e sua presença em todo o território brasileiro.

O aporte de R$ 6 bilhões deverá integrar esse processo de reestruturação.

Ao mesmo tempo, o governo pretende demonstrar que dispõe de margem fiscal para realizar a capitalização. Segundo Moretti, a combinação entre a redução das despesas obrigatórias e o crescimento de 20% da parcela discricionária reforça a capacidade do governo de cumprir seus compromissos e sustentar a execução do Orçamento de 2027.

DiárioPB com Brasil 247

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo