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Brasil lidera alta de investimentos militares na América do Sul em 2025

País amplia investimentos em defesa, soma R$ 119,6 bilhões e acompanha tendência global de aumento impulsionada por conflitos e tensões

16.04.2025 – Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, comandante do Exército Brasileiro, Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, Comandante da Aeronáutica, Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire, durante cerimônia do Dia do Exército e de comemoração do Jubileu de 80 anos das vitórias da Força Expedicionária Brasileira, na Itália.Quartel-General do Exército – Forte Caxias – Brasília – DF. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O Brasil registrou um crescimento de 13% nos gastos militares em 2025, totalizando R$ 119,6 bilhões, e se consolidou como o país que mais investe em defesa na América do Sul, segundo relatório internacional divulgado nesta segunda-feira (27). No cenário global, o avanço acompanha uma tendência de elevação contínua das despesas militares, impulsionada por conflitos e tensões geopolíticas.

De acordo com levantamento do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), o Brasil alcançou US$ 23,9 bilhões em investimentos militares no último ano, ocupando a 21ª posição no ranking global de gastos em defesa. O estudo aponta que o crescimento brasileiro ocorre em meio a um movimento mais amplo de expansão dos investimentos militares em diversas regiões do mundo.

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O relatório indica que os gastos globais com defesa atingiram US$ 2,9 trilhões em 2025, marcando o 11º ano consecutivo de alta desde o fim da Guerra Fria. Esse aumento é atribuído principalmente à intensificação de conflitos internacionais e ao aumento das tensões entre países, que têm impulsionado governos a reforçar seus orçamentos militares.

Na América do Sul, os investimentos somaram US$ 56,3 bilhões, uma elevação de 3,4% em relação ao ano anterior. Além do Brasil, a Guiana se destacou com crescimento de 16% em seus gastos, em meio a disputas territoriais com a Venezuela na região de Essequibo. Colômbia e México também aparecem entre os principais investidores da região, ocupando as posições 29 e 30 no ranking global, respectivamente.

No panorama internacional, Estados Unidos, China e Rússia concentram pouco mais da metade de todos os gastos militares do planeta, com um total combinado de US$ 1,48 trilhão. Apesar de uma redução de 7,5% nas despesas norte-americanas — atribuída, em parte, à suspensão de apoio à Ucrânia — o aumento global foi sustentado por elevações expressivas em outras regiões.

A Europa foi o principal motor desse crescimento, com aumento de 14% nos investimentos, que totalizaram US$ 864 bilhões. O cenário reflete tanto a guerra na Ucrânia quanto a pressão dos Estados Unidos para que países europeus ampliem sua participação nos gastos com defesa. Alemanha e Espanha figuram entre os destaques, com aumentos de 24% e 50%, respectivamente, sendo que os espanhóis ultrapassaram pela primeira vez desde 1994 o patamar de 2% do PIB destinado à área militar.

Na Rússia, os gastos cresceram 5,9%, alcançando US$ 190 bilhões, o equivalente a 7,5% de seu Produto Interno Bruto (PIB). Já a Ucrânia ampliou seus investimentos em 20%, somando US$ 84,1 bilhões, o que representa cerca de 40% de toda a sua economia.

No Oriente Médio, o crescimento foi praticamente estável, com alta de apenas 0,1% e total de US$ 218 bilhões. Israel e Irã apresentaram redução nos gastos, sendo que, no caso iraniano, o recuo está associado à inflação elevada.

A região da Ásia-Oceania também registrou avanço significativo, com aumento de 8,5% nos investimentos militares, alcançando US$ 681 bilhões — o maior crescimento anual desde 2009. O movimento foi impulsionado principalmente pela China, além de reações de países vizinhos diante de percepções de ameaça na região.

O relatório destaca ainda que o chamado “ônus militar” — proporção do PIB global destinada à defesa — atingiu o nível mais elevado desde 2009, reforçando o cenário de crescente militarização em resposta às instabilidades internacionais.

Com Brasil 247

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