2º diaBeija-Flor de Nilópolis, União da Ilha do Governador e Salgueiro se destacaram no último dia de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Unidos da Tijuca, Portela e Imperatriz Leopoldinense também desfilaram pela Sapucaí.

A Beija-Flor levou para a avenida sua crítica à desigualdade social e a todas as formas de intolerância. Última a entrar na Sapucaí, a escola foi seguida por uma multidão na avenida, representando o carnaval de rua.

A União da Ilha prestou uma homenagem à culinária brasileira, com carros luxuosos, e o Salgueiro fez um tributo às mulheres negras.

Já a primeira noite de desfiles foi marcada por protestos da Paraíso de Tuiuti e da Mangueira e também por problemas da Grande Rio, que estourou o tempo e perderá 0,5 ponto. A apuração das notas do Grupo Especial do Rio será na quarta-feira (14).

Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca abriu o último dia de desfiles no Rio exaltando o ator, diretor e escritor Miguel Falabella, com o enredo “Um coração urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”.

O homenageado foi destaque, e o desfile contou com Marisa Orth à frente da bateria na pele de Magda, personagem de “Sai de Baixo” que era mulher de Caco Antibes, interpretado por Falabella. Ela usou uma coleira com o nome “Caco”.

Amigos como Arlete Salles, Cissa Guimarães, Claudia Raia e Aracy Balabanian também desfilaram. A infância, a vida no teatro, as novelas e as séries de Falabella foram lembradas em quase todas as 29 alas da escola.

Portela

Uma das campeãs de 2017, quando dividiu o título com a Mocidade, a Portela levantou a Sapucaí com um enredo sobre refugiados. Segunda escola na avenida, a Portela chegou à concentração com gritos de “é campeã” e contagiou a arquibancada, que cantou o samba durante todo o desfile.

A escola da carnavalesca Rosa Magalhães contou a história de judeus que se refugiaram em Pernambuco na época da dominação holandesa.

O tradicional abre-alas da escola não fugiu à regra e veio com a enorme águia no topo, junto a dezenas de integrantes com asas luminosas. A escola de Madureira detém o maior número de títulos no Grupo Especial do Rio, 22 no total.

União da Ilha

A União da Ilha do Governador despertou os sentidos na Sapucaí ao mostrar os ingredientes, as cores e até os aromas da culinária brasileira. A escola foi a terceira a desfilar no segundo dia do Grupo Especial do Rio, com o enredo “Brasil bom de boca”.

A musa Gracyane Barbosa foi rainha de bateria, à frente dos ritmistas vestidos de cozinheiros. O carro abre-alas tinha cheiro de café, e o carro sobre cacau exalava chocolate.

A ala das baianas virou “ala das bananas”, em homenagem à pacova, nome que os índios davam à banana da terra na época da chegada dos portugueses.

Salgueiro

Em busca de seu décimo título, após nove anos sem vencer, a Acadêmicos do Salgueiro fez um tributo às mulheres negras e buscou inspiração em um enredo que homenageou Xica da Silva, há 55 anos.

Os músicos da bateria se vestiram de faraós negros, com os rostos pintados de tinta preta. À frente estava a rainha Viviane Araújo como Hatshepsut, uma rainha-faraó do antigo Egito.

Os 3.600 componentes das 34 alas representaram guerreiras, revolucionárias, mucamas, mães, artistas e escritoras negras, como Auta de Souza, Carolina de Jesus e Maria Firmina. O sexto e último carro apresentou uma versão negra da Pietá de Michelangelo, em uma crítica às mães brasileiras que perderam seus filhos com a violência urbana.

Imperatriz Leopoldinense

A Imperatriz Leopoldinense misturou realeza e ciência natural no desfile sobre os 200 anos do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O carnavalesco Cahê Rodrigues se inspirou no filme “Uma noite no museu” e levou para a Sapucaí insetos, aves, fósseis e meteoros.

A escola abriu mão do tripé na comissão de frente e fez uma apresentação firmada na coreografia. O tempo de execução da performance, contudo, quase comprometeu o tempo de desfile.

A tenente do Corpo de Bombeiros Flávia Lyra estreou no posto de rainha da bateria, que por quatro anos foi ocupado pela atriz Cris Vianna.

Beija-Flor

A Beija-Flor de Nilópolis encerrou os desfiles com um paralelo entre o romance “Frankenstein”, que faz 200 anos, e as mazelas sociais brasileiras. Corrupção, desigualdade, violência e intolerâncias de gênero, racial, religiosa e até esportiva formaram o cenário “monstruoso”.

Os protestos fizeram coro com dois desfiles do dia anterior: do Paraíso do Tuiuti e da Mangueira.

O samba-enredo comandado por Neguinho da Beija-Flor e cantado alto pelo público da Sapucaí tem o título “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”.

G1

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