autoda compadecida
Foto/Dalmo Oliveira

O clássico da comédia teatral regional O Auto da Compadecida, do dramaturgo paraibano Ariano Suassuna, ganhou pitadas contemporâneas na montagem comandada por Bento Júnior, à frente do Grupo Circo Sem Pano. Nas apresentações que ocorreram neste último final de semana, no Teatro Santa Roza, o elenco enxertou no texto adaptado fragmentos discursivos que remetem ao cotidiano político da vida nacional brasileira.

Em determinado momento, por exemplo, um dos atores “tira onda” com o véu azul da personagem Nossa Senhora (Puama Sheila). “Azul é cor de menino, viu santíssima?!”, avisa alguém das coxias. No final do espetáculo, Hermano Queiroz, que encena o bispo, faz questão de ressaltar: “mas não tenho nenhum parentesco com ‘aquele’ Queiroz não!!”.

A plateia mais atenta, claro, cai na gargalhada. As tiradas como sátira ao atual momento político injetam mais frescor ao auto de Suassuna, escrito originalmente no já longínquo 1955 e encenado pela primeira vez no Recife no ano seguinte. Atualizam as peripécias de João Grilo (Bento Júnior) e seu comparsa Chicó (Ítalo Romany).

A montagem atual gira em torno de uma certa usura clerical, ambientada numa Taperoá do século passado. O pároco da província, Padre João (Marcílio Herculano) tem alguns vícios mundanos e uma queda latente por grana e rabos de saias.

O texto brinca com as figuras de uma sociedade arcaica: o major Antônio Morais (Hermano Queiroz), o padre e o bispo (Israel Ferbar), além do padeiro (Paulo Sérgio) e sua esposa voluptuosa (Simone França). Fundado no final de 1991, o Grupo de Teatro Circo Sem Pano está completando 19 anos de estrada. Diversão garantida.

Por Dalmo Oliveira

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