A jornalista Adriana Araújo fez duras críticas à Record após a realização de uma entrevista com Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha, para o programa Domingo Espetacular. Durante o Jornal da Band desta segunda-feira (10), a apresentadora questionou o interesse jornalístico de dar espaço ao homem condenado pelas agressões contra Maria da Penha.
A reportagem conduzida por Roberto Cabrini foi impedida de ir ao ar por decisão judicial. Marco Antônio também foi preso por descumprimento de uma medida protetiva, conforme relatado pelo veículo.
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Ao comentar o caso durante o telejornal, Adriana Araújo abriu sua manifestação questionando a decisão editorial de entrevistar o ex-marido de Maria da Penha.
“Quem tenta matar quer a morte da vítima. É um assassino potencial. E qual o interesse jornalístico em dar voz a um sujeito desses?”, indagou Adriana.
A jornalista também criticou a possibilidade de o entrevistado apresentar publicamente sua própria narrativa sobre os crimes e relacionou a iniciativa a uma nova forma de violência contra a vítima.
“Que prazer sádico é esse de deixar o criminoso contar a sua versão de um crime hediondo, violentando a vítima de novo com a deturpação dos fatos? Marco Antônio Viveros tentou matar Maria da Penha com um tiro nas costas e depois eletrocutada”, recordou a profissional.
Adriana destacou ainda a trajetória de Maria da Penha e a importância de sua luta para a criação da legislação que leva seu nome e estabelece mecanismos de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
“Ela sobreviveu aos ataques, ao cárcere privado e ao horror de ver o ex-marido pegar apenas dois anos de cadeia. Maria da Penha tem que ser honrada todos os dias no nosso país. Fez da dor, luta e vitória. Da coragem dela, nasceu uma lei que protege todas nós, mulheres, contra a violência doméstica. Dar palco para o criminoso que tentou matá-la duas vezes é banalizar a vida”, concluiu Araújo.
A manifestação da âncora repercutiu nas redes sociais e provocou comentários de internautas que também questionaram a realização da entrevista.
Uma usuária do X, antigo Twitter, relacionou o episódio aos 20 anos da Lei Maria da Penha e criticou a exposição dada a Marco Antônio.
“A banalização da violência contra a mulher e do feminicídio ficou escrachada nessa reportagem do Cabrini. Quando comemoramos vinte anos da Lei, o assassino vira estrela. Só serviu para ele ser preso preventivamente por descumprir medidas protetivas de urgência”, comentou.
Outra internauta apoiou os questionamentos feitos por Adriana e criticou a decisão de entrevistar o ex-marido de Maria da Penha.
“Perfeito questionamento. Qual a intenção de dar palco pra um homem que atirou numa mulher enquanto ela dormia, depois a eletrocutou no chuveiro, a deixou paraplégica, assedia as próprias filhas e ainda forjou um laudo falso pra participar de um documentário cretino?”, indagou.
A reação de Adriana Araújo colocou no centro do debate os limites editoriais envolvidos na concessão de espaço a pessoas condenadas por crimes de grande repercussão, especialmente em casos relacionados à violência contra a mulher.
A crítica também ocorreu em um momento simbólico: a Lei Maria da Penha completou 20 anos em agosto de 2026. Ao abordar o episódio no Jornal da Band, Adriana concentrou sua argumentação na necessidade de preservar a memória e a trajetória da mulher que deu nome a uma das principais legislações brasileiras de combate à violência doméstica.
DiárioPB com Brasil 247