tarjaedonioalves

googalizaçãoAmigo, escreva a palavra google no Google e você terá à disposição, à guisa de entrada para a consulta de informações, cerca de seis bilhões de resultados. Essa cifra astronômica assusta qualquer um e também me assustou daí por que resolvi trazer, para nossa conversa de hoje, a discussão que ela suscita – entre tantas possíveis – em termos de modalidades de aquisição de conhecimento que a humanidade possui no tempo contemporâneo. Não é nada desprezível saber (e poder) acessar um meio tecnológico na tentativa de resolver problemas de informação quando se quer chegar a determinado conhecimento sobre o mundo.

Eu falo mais precisamente das preocupações em torno do buscador Google, que o pesquisador Siva Vaidhyanathan, especialista em história cultural e professor da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos, tem expressado acerca dessa forma moderna que a cultura contemporânea encontrou de encontrar as informações de que necessita para transformá-las em conhecimento. Percebam que insisto em falar dicotomicamente em informação e conhecimento, dois conceitos parecidos, complementares, mas, sobretudo, diferentes em seus usos e aplicações.

Antes de explicar as diferenças conceituais entre informação e conhecimento, contudo, saibam todos que o nosso o pesquisador Siva Vaidhyanathan escreveu dois livros sobre o Google e seu papel de “filtro do mundo” na cultura contemporânea: “The Googlization of Everything ” e “And why we should worry” (A Googalização de Tudo “”E por que devemos nos preocupar”), nos quais tece uma série comentários e avaliações sobre a importância, validade, e, principalmente, conseqüências da utilização de uma empresa agenciadora das fontes através das quais cada vez mais formamos nossa visão de mundo.

A principal crítica de Vaidhyanathan quanto a este particular, se refere à compreensão de que cada vez mais o Google muda a forma como vemos o mundo e como julgamos a informação. Ele chama atenção para o fato de que para muitas pessoas – e em escala global – o site esteja se tornando fundamental para a tomada de decisões. Segundo o cientista, cada vez mais as pessoas dependem dele para isso. “Mais do que isso”, diz ele: “o Google gere a nossa reputação. Ele gerencia as fontes de informação que encontramos. E as formas de comércio”.

Talvez esteja aqui o ponto nodal da nossa conversa de hoje e que tem a ver com a dicotomia apontada lá em cima por nós sobre a diferença entre informação e conhecimento. Informação é um conceito que diz respeito – tentando uma explicação esquemática por causa do espaço – ao conteúdo de novidade que percebemos no mundo e que necessitamos entender para formarmos determinado juízo sobre nós mesmos, sobre os nossos semelhantes com quem nos relacionamos e sobre o ambiente que criamos em torno da gente para a fixação temporal da nossa existência. Considerada em si mesmo, portanto, dado o seu grau de novidade, a informação é inócua, portando, porém – por outro lado -, um alto grau de poder transformador quando transformada em conhecimento. Este, por seu turno – tentando outra explicação esquemática nesse espaço -, diz respeito às relações que podemos manter entre o conteúdo novo da informação e os conteúdos já existentes dela no universo da cultura, o que nos habilita a planejar e projetar, com bases novas, o ambiente que queremos em torno da gente para a fixação temporal da nossa existência.

Ora, sendo o Google, no mundo moderno, uma empresa agenciadora das fontes através das quais adquirimos as informações para transformá-las em conhecimento, resta saber sob que condição se dá tal operação. A resposta de Siva Vaidhyanathan quanto ao Google, é interessante: “Quanto melhor entendermos como ele funciona, melhor poderemos corrigir a tendência que ele tem de nos dar respostas rasas, resultados rápidos que são projetados para ajudar a consumir coisas em vez de entender coisas”. Está dado o meu recado.

COMPARTILHAR

DEIXE AQUI SEU COMENTÁRIO


quatro + 2 =