AMÉRICA LATINA

Pesquisa aponta que 76% dos argentinos sentem tristeza ou raiva com governo Milei

Estudo aponta perda de poder de compra e dificuldades cotidianas como fatores do descontentamento social na Argentina

Pesquisa da Hugo Haime Associados mostra que 76% dos argentinos ouvidos associam tristeza, desânimo ou raiva ao governo de Javier Milei. O resultado reflete um cenário marcado pela perda de poder de compra, pelo crédito caro e pelo consumo enfraquecido. As informações são da coluna de Sylvia Columbo na Folha de S.Paulo.

Entre os entrevistados, 42% declararam sentir tristeza e desânimo em relação à atual gestão, enquanto 34% mencionaram raiva. Outros 20% afirmaram estar entusiasmados, e 4% preferiram não responder.

O levantamento não avaliou diretamente a popularidade do presidente argentino. A proposta foi identificar os sentimentos despertados pelo governo, oferecendo uma leitura sobre o estado de ânimo da população para além dos índices tradicionais de aprovação.

Perda salarial afeta percepção dos argentinos

A redução do poder aquisitivo aparece como um dos principais fatores de insatisfação. Os salários ainda não recuperaram o terreno perdido, enquanto o custo do crédito continua elevado e o consumo permanece deprimido.

Muitas famílias seguem administrando o orçamento sob a mesma cautela adotada na fase mais aguda da crise do ano anterior. Por isso, eventuais mudanças nos indicadores econômicos ainda são percebidas como distantes da vida cotidiana.

A inflação anual está em torno de 30%, depois de ter superado 60% no último ano do governo de Alberto Fernández. O índice atual, no entanto, permanece elevado, e a renda dos trabalhadores não apresentou uma recuperação equivalente.

A instabilidade também reforça o hábito de guardar dinheiro “no colchão”, comportamento que se consolidou na Argentina após sucessivos períodos de dificuldades econômicas.

Milei mantém confronto como estratégia política

Diante do descontentamento, Milei continua apostando no enfrentamento como método de governo. Desde a campanha eleitoral, o presidente dirige críticas à oposição, ao Congresso, à imprensa, aos governadores e a representantes de outros países.

Os alvos mudam, mas a estratégia permanece centrada em manter o debate público em torno de disputas que mobilizam sua base mais fiel. Os confrontos também costumam ganhar força em períodos de maior pressão doméstica sobre o governo.

A tensão mais recente envolveu o Brasil e levou ao afastamento do então embaixador brasileiro do cargo. Milei também protagonizou atritos com Espanha, Chile, Colômbia e China.

Parte dessas crises diplomáticas foi administrada com a atuação da ex-chanceler Diana Mondino. Os confrontos acabaram sendo acomodados, mas reforçaram o perfil combativo adotado pelo presidente argentino dentro e fora do país.

Poder de compra ocupa centro das preocupações

No levantamento realizado no ano anterior, a corrupção aparecia como a principal preocupação popular. O tema perdeu espaço durante o atual governo, enquanto a queda do poder de compra dos salários passou a ocupar posição central.

s juros elevados e as pressões envolvendo o peso argentino completam o quadro de dificuldades enfrentado pela gestão de Milei. Esses fatores limitam o acesso ao crédito, restringem o consumo e dificultam a reorganização financeira das famílias.

A pesquisa indica que o desempenho dos indicadores econômicos e a percepção da sociedade não avançam necessariamente no mesmo ritmo. Para a maioria dos entrevistados, os resultados defendidos pelo governo ainda não produziram mudanças concretas no cotidiano.

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