AMÉRICA LATINA

Venezuela registra mais de 900 mortos após terremotos

O número de feridos ultrapassa 3.360 feridos e são mais de 50 mil os desaparecidos

A Venezuela registra mais de 900 mortos, 3.360 feridos e mais de 50 mil desaparecidos após dois terremotos de grande magnitude atingirem Caracas, La Guaira e cidades vizinhas na noite de quarta-feira (24). Segundo a Reuters, equipes locais e estrangeiras intensificaram nesta sexta-feira as buscas por sobreviventes sob os escombros, enquanto moradores relatam demora na chegada de maquinário pesado às áreas mais afetadas.

De acordo com a Reuters, o governo venezuelano informou que 920 pessoas morreram, 3.360 ficaram feridas e 172 ainda permanecem presas em estruturas colapsadas. A lista de desaparecidos ultrapassa 50 mil nomes. Um novo tremor, de magnitude 4,9, foi sentido na tarde de sexta-feira em Caracas e Maracay, ampliando o temor entre moradores que já haviam sido atingidos pelos abalos anteriores.

Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, destruíram bairros inteiros, abriram rachaduras em rodovias e derrubaram prédios em áreas densamente povoadas. Segundo estimativa da ONU citada pela agência, os danos diretos podem chegar a US$ 6,7 bilhões. O segundo tremor foi apontado como o mais forte registrado na Venezuela em mais de um século.

Em La Guaira, um dos focos da tragédia, moradores e voluntários passaram horas removendo concreto, barras de metal e entulho com as próprias mãos, em meio à falta de guindastes e escavadeiras.

Jennifer Palacios, de 25 anos, disse que seu filho de 6 anos e outros cinco parentes continuam soterrados no complexo habitacional Hugo Chávez, formado por oito torres na cidade de La Guaira. “Foi a comunidade que conseguiu resgatar as pessoas com vida”, afirmou. “Precisamos que eles tragam guindastes para remover as lajes. Ainda há pessoas presas.”

A presidente interina Delcy Rodríguez prometeu uma grande mobilização para atender as áreas atingidas. Inicialmente, autoridades agradeceram a ajuda de voluntários, mas depois pediram que pessoas não registradas evitassem se deslocar para La Guaira, sob o argumento de que o tráfego dificultava o avanço das equipes de emergência.

O governo anunciou o fechamento de vias a partir das 20h, no horário local, permitindo acesso apenas a equipes oficiais e grupos de resposta registrados. Testemunhas da Reuters relataram que algumas ruínas chegaram a ser identificadas com nomes de edifícios pintados nos escombros, para orientar os socorristas.

A crise humanitária também expôs a fragilidade de um país já marcado por anos de turbulência econômica, colapso de serviços públicos e deterioração da infraestrutura.

Apesar da destruição em áreas urbanas, o setor de petróleo não teria sido diretamente afetado. A ministra do Petróleo, Paula Henao, afirmou em entrevista de rádio que a produção venezuelana segue operando e que a distribuição de combustíveis será garantida. Executivos e trabalhadores do setor também disseram que a infraestrutura petrolífera escapou de danos maiores.

Equipes internacionais começaram a chegar à Venezuela entre a noite de quinta-feira e a sexta-feira. México, El Salvador e outros países enviaram especialistas para apoiar as buscas. Em Los Corales, bairro litorâneo de La Guaira, 50 integrantes da equipe salvadorenha usavam drones, scanners térmicos e cães farejadores para localizar sobreviventes entre os restos de três prédios de dez andares.

Roberto Gavidia, chefe da equipe de resgate de El Salvador, relatou que havia sinais de pessoas ainda vivas sob os escombros. “As pessoas nos disseram que conseguem ouvi-las. Elas ligam para elas pelo telefone, elas respondem, e dá para ouvir pessoas gritando e chamando”, afirmou.

A tragédia também provocou uma rara coordenação entre Caracas e Washington. Delcy Rodríguez conversou por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Autoridades venezuelanas também se reuniram com o Comando Norte das Forças Armadas dos EUA e especialistas em desastres.

O governo de Donald Trump anunciou a mobilização de US$ 150 milhões em ajuda humanitária e o alívio de sanções para facilitar a resposta emergencial. Os Estados Unidos também enviaram dois navios militares e informaram que helicópteros e aeronaves darão apoio às operações de busca e resgate.

A Organização Internacional para as Migrações, agência da ONU, estima que quase 7 milhões de pessoas possam ser afetadas pelos terremotos. O órgão começou a fornecer abrigos emergenciais e itens de assistência às comunidades atingidas.

A dimensão final da tragédia ainda é incerta. O Serviço Geológico dos Estados Unidos estimou que o número de mortos pode superar 10 mil, o que colocaria o desastre entre os terremotos mais letais da América Latina no último século.

As buscas seguem concentradas em La Guaira, Caracas e áreas costeiras vizinhas, onde equipes estrangeiras e voluntários locais tentam localizar pessoas com vida antes que se esgotem as chances de resgate.

Com Brasil 247

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Redação DiárioPB

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