
Os Estados Unidos e o Irã já assinaram eletronicamente um acordo de paz que busca encerrar mais de três meses de conflito entre os dois países. O conteúdo integral do documento, no entanto, só será divulgado após uma cerimônia presencial marcada para sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. As informações foram divulgadas pela agência Reuters e repercutidas pelo portal G1.
Citando agências internacionais, o G1 destaca que o documento foi assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo vice-presidente J.D. Vance e por Mohammed Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano. O governo estadunidense considera que Qalibaf possui autorização do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, para negociar e firmar o acordo em nome de Teerã.
A formalização presencial do tratado ocorrerá em Genebra. Trump afirmou que Vance participará da cerimônia, mas ainda não há confirmação sobre quais outras autoridades dos dois países estarão presentes.
Texto será divulgado após cerimônia
Embora a assinatura eletrônica já tenha sido concluída, o texto final do acordo permanecerá sob sigilo até a cerimônia da próxima sexta-feira. Segundo Washington e Teerã, equipes técnicas iniciarão ainda nesta semana discussões destinadas a aprofundar os termos do tratado.
O acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos ao Irã durante o conflito. O entendimento também contempla o eventual alívio de sanções econômicas e o descongelamento de ativos iranianos.
Essas medidas, entretanto, ainda não foram implementadas. De acordo com a Reuters, os Estados Unidos estão preparados para avançar nessa direção, mas aguardam sinais concretos por parte do governo iraniano.
Trump reforçou essa posição ao afirmar que não pretende flexibilizar as sanções “até que façam o que devem fazer”.
Desconfiança permanece entre Washington e Teerã
Apesar do avanço diplomático, a relação entre os dois países continua marcada por desconfiança. Nesta segunda-feira (15), o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que o país mantém uma “profunda desconfiança” em relação aos Estados Unidos. A declaração evidencia que, mesmo com a assinatura do acordo, temas centrais ainda dependem de negociações futuras para serem plenamente resolvidos.
Divergência sobre o Estreito de Ormuz
Em entrevista ao jornal The New York Times, Trump afirmou que o acordo prevê a isenção permanente de qualquer cobrança para a navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
O governo iraniano, contudo, apresentou uma interpretação diferente. Também nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores informou que passará a cobrar taxas relacionadas a determinados serviços oferecidos às embarcações que cruzarem a região.
“Sempre afirmamos que não pretendemos cobrar taxas de trânsito, mas serão cobradas taxas por serviços de navegação, proteção ambiental, seguro de navios e outros serviços necessários”, declarou o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei.
O Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo, tornando-se um dos pontos mais sensíveis para o comércio internacional de energia.
Até a última atualização das informações, o governo dos Estados Unidos não havia se manifestado oficialmente sobre a cobrança anunciada por Teerã.
Trump cita apoio de China e Rússia
Na entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, contribuíram para o avanço das negociações que culminaram no acordo de paz.
O presidente dos Estados Unidos agradeceu aos dois líderes pelo apoio diplomático e também fez críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Trump afirmou ainda que, caso o Irã não aceitasse os termos negociados, os Estados Unidos poderiam assumir uma posição mais ampla de influência sobre a região.
Anunciado oficialmente no domingo (14), o acordo representa um importante passo para a redução das tensões entre Washington e Teerã. Ainda assim, a implementação dos compromissos assumidos, o futuro das sanções econômicas e a reconstrução da confiança entre os dois países permanecem como desafios centrais para os próximos meses.
Com Brasil 247
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