Uma greve iniciada por profissionais da Rádio e TV Justiça e de setores da Comunicação Institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) pode afetar a cobertura jornalística do julgamento do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, acusado de coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, a paralisação teve início à 0h01 desta segunda-feira (15) e foi motivada por atrasos no pagamento de salários e benefícios trabalhistas.
Adesão ampla entre jornalistas
De acordo com Pedro Rafael Vilela, coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, houve adesão total dos profissionais responsáveis pela cobertura jornalística da emissora. Segundo ele, todos os âncoras, apresentadores, comentaristas e repórteres da TV Justiça aderiram ao movimento.
Apesar da greve, as transmissões das sessões do Supremo poderão continuar sendo exibidas na televisão e nas plataformas digitais. No entanto, a cobertura jornalística realizada pelos profissionais da emissora deve ser interrompida enquanto durar a paralisação.
STF afirma que transmissões serão mantidas
A secretária de Comunicação Social do STF, Giselly Siqueira, afirmou que as transmissões ao vivo não serão interrompidas. “Não trabalhamos só com a equipe que está em greve, temos pessoal de outros contratos que podem assumir a transmissão”, declarou. Segundo a representante do Supremo, equipes vinculadas a outros contratos poderão garantir a continuidade da exibição das sessões da Corte.
Categoria cobra garantias trabalhistas
A greve reúne cerca de 160 profissionais contratados pela Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação (Fundac), empresa terceirizada responsável pelos serviços de comunicação prestados ao STF.
Durante reunião realizada na última quinta-feira (11), representantes do Supremo informaram aos trabalhadores que multas foram aplicadas à fundação em razão dos atrasos nos pagamentos.
O tribunal também apresentou medidas destinadas a assegurar o pagamento das verbas trabalhistas ao fim do contrato atual, previsto para encerrar em 31 de julho.
Os profissionais, contudo, avaliam que as providências anunciadas ainda não oferecem garantias suficientes para assegurar o recebimento dos valores devidos.
Preocupação com nova licitação
Outro ponto de tensão envolve a nova licitação dos serviços de comunicação do STF. Segundo representantes da categoria, a proposta mais bem classificada prevê a contratação de apenas 47 trabalhadores pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), número significativamente inferior aos 138 postos atualmente existentes.
Os trabalhadores afirmam que a redução pode abrir caminho para a substituição de empregados contratados pelo regime celetista por profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ).
Na avaliação da categoria, essa mudança pode aprofundar a precarização das relações de trabalho e comprometer a estrutura de comunicação atualmente mantida pelo Supremo Tribunal Federal.
Com Brasil 247
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