OpenAI prepara uma ampla reformulação do ChatGPT para transformar a plataforma em um “superaplicativo” capaz de executar tarefas complexas, como reservar viagens, organizar agendas, integrar aplicativos de parceiros e oferecer novas ferramentas de programação e geração de imagens, informa a Bloomberg.A mudança marca uma tentativa da empresa sediada em San Francisco de fortalecer sua posição na corrida da inteligência artificial, em meio à disputa com concorrentes como a Anthropic e antes de um esperado pedido de oferta pública inicial de ações, o IPO, ainda este ano.
A proposta é fazer com que o ChatGPT deixe de funcionar apenas como um chatbot voltado a perguntas e respostas e passe a operar como uma plataforma mais abrangente. O foco da nova fase está nos chamados agentes de IA, sistemas capazes de realizar tarefas em várias etapas de forma autônoma, ampliando o uso da inteligência artificial no cotidiano de usuários e empresas.
Agentes de IA estão no centro da estratégia
A aposta da OpenAI parte da avaliação de que o futuro da inteligência artificial estará cada vez mais ligado a agentes autônomos. Em vez de apenas responder a comandos simples, esses sistemas poderão cumprir tarefas mais complexas, como planejar uma viagem, fazer reservas, organizar compromissos e interagir com diferentes serviços digitais.
As mudanças devem ser implementadas nas próximas semanas.
A reformulação deve incluir alterações no site e na interface do aplicativo, além da incorporação de novas funcionalidades. Entre os recursos previstos estão ferramentas de programação, geração de imagens e aplicativos desenvolvidos por parceiros externos.
Canva, Booking.com e Codex devem ganhar espaço
Entre os parceiros mencionados estão plataformas como Canva e Booking.com, que poderão ser integradas ao novo modelo de funcionamento do ChatGPT. A medida reforça a intenção da OpenAI de aproximar o serviço de uma experiência centralizada, na qual o usuário consiga acessar diferentes soluções sem sair da plataforma.
Outro ponto importante da reorganização é o Codex, produto da OpenAI voltado à programação. Segundo o Financial Times, a base de usuários ativos da ferramenta cresceu seis vezes desde o lançamento e passou de 5 milhões por semana.
O site The Information já havia informado, em 3 de junho, que a OpenAI planejava integrar o Codex ao ChatGPT. A nova estrutura indicaria um esforço para aproximar recursos de desenvolvimento de software da experiência principal oferecida pela plataforma.
Clientes empresariais têm peso crescente
A expansão do ChatGPT também ocorre em um momento em que os clientes empresariais ganham importância nas receitas da OpenAI. Conforme o Financial Times, os 2 milhões de clientes corporativos da companhia respondem atualmente por cerca de 40% da receita.
Essa fatia pode chegar a 50% até o fim do ano, de acordo com o jornal. O avanço no mercado empresarial ajuda a explicar a ênfase em ferramentas de produtividade, programação e automação de tarefas, áreas consideradas estratégicas para ampliar o uso da inteligência artificial em ambientes profissionais.
A reorganização também envolve uma redefinição de prioridades internas. Segundo a reportagem, a OpenAI colocou em segundo plano algumas iniciativas voltadas ao consumidor, incluindo um produto de geração de vídeos lançado há menos de um ano, para concentrar esforços na reformulação do ChatGPT.
Disputa com rivais pressiona a OpenAI
A movimentação ocorre em um cenário de competição intensa entre empresas de inteligência artificial. A Anthropic, citada como uma das principais rivais da OpenAI, também disputa espaço no desenvolvimento de assistentes e agentes capazes de executar tarefas mais sofisticadas.
Com a reformulação, a OpenAI tenta ampliar o alcance do ChatGPT e consolidar a plataforma como uma porta de entrada para serviços digitais, ferramentas de criação, programação e organização pessoal. A estratégia reforça a busca da empresa por novas formas de monetização e por maior presença no mercado corporativo antes de seu possível IPO.
Com Brasil 247
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