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Apostadores usam bets para tentar ampliar renda familiar, aponta Datafolha

Levantamento revela que quase metade dos usuários aposta para complementar ganhos, enquanto especialistas alertam para impactos no endividamento

Quase metade dos brasileiros que utilizam plataformas de apostas online recorre a esse tipo de prática na tentativa de complementar a renda e pagar contas, segundo pesquisa do Datafolha divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo. O levantamento evidencia o avanço das chamadas “bets” no cotidiano da população e acende o alerta para seus efeitos sobre a saúde financeira das famílias.De acordo com a pesquisa, 46% dos apostadores afirmam apostar com o objetivo de obter renda extra. O estudo, realizado nos dias 8 e 9 de abril com 2.002 entrevistados em 117 municípios, aponta ainda que 10% dos brasileiros dizem ter o hábito de apostar em plataformas digitais ou cassinos online — sendo 2% com alta frequência, 4% às vezes e 4% raramente.

Uso das apostas como complemento de renda

Os dados revelam um cenário preocupante: 5% dos entrevistados afirmam já ter apostado com a intenção direta de gerar renda para pagar despesas, enquanto 1% admite ter utilizado dinheiro originalmente destinado ao pagamento de contas mensais em jogos de azar.

O perfil predominante dos apostadores inclui homens (14%) e jovens com ensino médio completo e renda de até dois salários mínimos, o que sugere maior exposição de grupos economicamente mais vulneráveis ao risco das apostas.

Impacto no endividamento e contexto econômico

Especialistas apontam que o crescimento das apostas online contribui para o endividamento da população, embora não seja o único fator. Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da Fundação Getulio Vargas (FGV), destaca que o fenômeno está inserido em um contexto econômico mais amplo.

“As bets têm a sua parcela de culpa, inequivocamente, mas não são só elas. E também não é verdade que tudo seja um problema de educação financeira, embora ela seja muito importante. É a combinação de diversos fatores, que incluem renda, inflação e crescimento da economia”, afirmou.

A análise reforça que o avanço das apostas ocorre em meio a dificuldades econômicas, acesso facilitado ao crédito e limitações na educação financeira da população.

Evidências internacionais reforçam alerta

Estudos internacionais apontam efeitos ainda mais contundentes. Pesquisa conduzida pelo National Bureau of Economic Research (NBER), nos Estados Unidos, identificou um efeito direto de substituição: cada dólar gasto em apostas corresponde a um dólar a menos em poupança ou investimentos.

A investigação analisou transações financeiras ligadas a grandes plataformas do setor, como FanDuel e DraftKings, que concentram a maior parte do mercado norte-americano, evidenciando impactos negativos sobre a estabilidade financeira das famílias.

Debate ainda incipiente no Brasil

No Brasil, a produção acadêmica independente sobre o tema ainda é limitada. Um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável indica que os gastos com apostas representam 0,46% do consumo das famílias — patamar semelhante ao das bebidas alcoólicas, que respondem por 0,5%.

Apesar disso, a rápida expansão das plataformas digitais de apostas e sua forte presença entre camadas de menor renda ampliam o debate sobre regulação, responsabilidade das empresas do setor e os riscos sociais associados ao fenômeno.

Com Brasil 247

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Redação DiárioPB

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