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Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do homem”

Para o autor de "Leviatã", o ser humano é naturalmente egoista e mau, e compete à sociedade contornar isso - com uma coisa chamada "contrato social".

“O homem é o lobo do homem” é uma expressão do filósofo Thomas Hobbes que quer dizer que, se não existir um Estado que imponha leis, o ser humano se se torna o maior inimigo de si mesmo e vive numa “guerra de todos contra todos”.

Thomas Hobbes foi um filósofo inglês do século XVI defensor das  monarquias absolutistas. Para justificar sua escolha por essa forma de governo, desenvolveu toda uma reflexão sobre o homem no estado de natureza e sobre a violência que caracteriza seu comportamento nessa condição.

Para compreendermos o pensamento de Hobbes podemos recorrer a um filme brasileiro muito conhecido: cidade de Deus. No filme acompanhamos a história de Buscapé, um fotógrafo que está iniciando sua carreira. Mas o que nos interessa aqui é a história que serve de pano de fundo: o conflito entre gangues rivais da Cidade de Deus.

Como seria viver numa sociedade sem Estado? Sem leis, sem governo, sem polícia? Seríamos capazes de manter uma relação pacífica com outras pessoas? Ou viveríamos em conflito constante?

Se considerarmos o filme cidade de Deus, optaríamos naturalmente pela segunda opção: sem o Estado, viveríamos em conflito constante. Era essa a opinião de Hobbes. Para ele, numa situação em que chamava de estado de natureza (um conceito que se refere a uma sociedade sem Estado, sem leis) prevalecia uma guerra de todos contra todosSe voltássemos a um passado remoto, antes de a humanidade criar governos e outras formas de controlar a liberdade dos indivíduos, veríamos que os maiores inimigos do homem  não eram os animais selvagens ou a natureza. Hobbes dizia que, no estado de natureza, homem é o lobo do homem. 

O estado de natureza hobbesiano nos é bastante familiar se considerarmos comunidades no Brasil controlados pelo tráfico de drogas, como a Cidade de Deus do filme.

Mas podemos ir além dessa constatação e tentar entender: por que afinal os homens entram em conflito na ausência de Estado?

A origem da violência

Hobbes tem uma explicação para isso. Segundo nosso autor, há, “como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder, que cessa apenas com a morte”.  O motivo pelo qual o homem deseja mais poder é garantir sua sobrevivência no estado de natureza. Como ele não tem qualquer garantia de que não será atacado por outra pessoa mais forte e ter sua comida, mulher, filhos roubados, é racional se tornar o mais forte possível para poder defender suas propriedades e pessoas que ama. O que o faz desejar mais poder não é uma natureza inata, mas a lógica da anarquia que prevalece no estado de natureza.

O desejo de poder faz com que os seres humanos se encontrem numa situação de desconfiança mútua e possíveis conflitos. Isso porque uma das formas óbvias de aumentar o próprio poder no estado de natureza é roubando outros homens e fazendo com que trabalhem para você, seja em troca de algum benefício (um salário, proteção) seja como escravo, já que não há nada no Estado de natureza que proíba isso.

A obra Leviatã, de Hobbes, aborda como a paz civil e a união social só poderiam ser alcançadas através do estabelecimento de um contrato social que centraliza o poder, que terá autoridade absoluta para proteger a sociedade, gerando a paz e uma comunidade consequentemente civilizada.

De modo geral, a afirmação feita por Hobbes ressalta a capacidade destruidora do ser humano contra os seus, isto é, ele apresenta a transfiguração do homem como um animal selvagem, sendo capaz de realizar barbaridades e atrocidades contra elementos considerados de sua própria espécie.

Sendo assim, entende-se que o homem possui extremo potencial para o bem, porém também tem para o mal, ainda mais em específicos casos quando ele está em busca de suprir seus próprios interesses, não se importando com o próximo.

É simples, portanto, ver que a frase “os fins justificam os meios” combina perfeitamente com tal atitude.

EXPLICAÇÃO DA FRASE O HOMEM É O LOBO DO HOMEM

A frase “O homem é o lobo do homem” pode ser explicada, como comentado, através da tentativa do autor de comparar o homem ao animal e seus comportamentos, ilustrando o que ele acredita ser a conduta do ser humano de maneira geral.

Para Thomas Hobbes, o individualismo do ser humano, quando em estado natural, faz com que ele passe a viver em disputa com os outros.

Tal frase, assim, expressa tal conflito entre os homens, mostrando que de todas as ameaças que um ser humano poderá encontrar, a maior delas será o confronto com sua própria espécie, ou seja, com outras pessoas.

O homem seria explorador por essência, um aproveitador dos que são mais fracos, usurpando o que é do outro, colocando-se acima dos demais e garantindo o seu bem-estar individual antes de qualquer pensamento no coletivo

Os desafios mais tempestuosos para o ser humano são originários pelos próprios homens, afinal são exatamente eles que provocam lutas e guerras sangrentas e matam seus semelhantes sem remorso, em grande parte das vezes.

Na opinião de Hobbes – e que pode ser visto como pensamento em Leviatã – o ser humano precisa viver em conjunto em uma sociedade estabelecida em normas e regras.

Em suma, a ausência de normas e regras, pré-definidas, causaria o caos entre os homens. O quê, de certa forma, estar acontecendo nos dias de hoje, no momento em que, as autoridades, que deveriam zelar por essas normatizações, infrinjem as normas, utilizam ao bel prazer, privilegiando seus interesses invés do interesse coletivo, sistematicamente vão desvirtuando o “Contrato Social” e gerando na Sociedade a insegurança jurídica que pode gerar a confusão e o caos.

 

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Marcelino Chagas

Empresário, Professor e Ativista Político.

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